sexta-feira, 20 de novembro de 2020

"O racismo não existe no Brasil"

Olá,

O nosso vice-presidente Hamilton Mourão alega que no Brasil não tem RACISMO.

Ele acredita que RACISMO foi o que ele pode presenciar durante um intercâmbio (?) nos Estados Unidos da América, onde os ‘negros e outros minorias’ tinham filas diferentes para não se misturarem com os ‘brancos’.

Tem coisas que precisamos viver para saber. E alguns nem vivendo conseguem aprender.

Em 2001, durante um momento de intervalo de aulas do curso superior de Ciências Biológicas, conversamos com colegas sobre ancestrais contei que era mestiça, mas tinha mais traços indígenas ... uma das estudantes até virou os olhos e rosto de nojo... ela tinha família toda de ancestralidade italiana. Mas uma outra alegou ter ancestrais árabes e não foi repudiada como eu.

Nessa mesma época, comecei a observar que as pessoas  ao se aproximarem de minha pessoa se tornavam agressivas e com ‘conversas muito pornográficas’.

Em 2013, participei dos protestos ‘anticorrupção’ que aconteceram principalmente saindo do centro comercial de Belo Horizonte (Praça Sete) e indo em direção ao Mineirão durante os jogos da COPA DAS CONFEDERAÇÕES FIFA 2013 (Presidência Dilma Rousseff/Michel Temer). Ao ir embora e bem longe de lá (na região do Shopping Estação) fomos abordados por dois policiais. Éramos três moças (duas de pele mais clara e eu mais morena) e um rapaz de pele mais negra, bem negra. E os policiais não paravam de questionar, mas não queriam saber minha opinião ou das outras moças... somente do rapaz. E isso foi passando 5 minutos, 10 minutos, 15 minutos, ... (as perguntas se repetiam, e somente era ‘escutado’ as falas de uma pessoa, é como se, de repente, eu e as outras moças fossemos invisíveis e mudas) ..., 20 minutos, 25 minutos, 30 minutos... fui achando estranho:

- É gente! Foi só isso, vamos?

E eles não deixavam ele ir. Aquilo começou a me incomodar muito. De qualquer forma, nós três não saímos dali enquanto os policiais não foram embora. Graças a Deus, eles foram embora e nós também!

A partir desse dia, aprendi que rapazes de minorias sociais devem ser deixados na porta de casa, por questão de segurança. Vai que lobo mau pega!

Nem sempre as pessoas que me agrediam eram homens de padrão germânico (brancos e de olhos azuis) ... nem vivencio em lugares onde eles estão com mais frequência. Mesmo que não seja por essas pessoas não significa que não seja preconceito.

Vejo muitos filmes onde negros alcançam posições mais valorizadas (amei o "Estrelas além do tempo"), com muita esforço e dedicação. E muitos não conseguem se espelhar neles. Não por preguiça ou vagabundagem. Mas porque é extremamente difícil lidar com o preconceito, com pessoas que te odeiam ou com a ideia de não voltar vivo amanhã para casa. Não é fácil.



Tenho de admitir que fico confusa sobre o que mais incomoda os outros no meu jeito singular: a cor ou excesso de quietude. Ou será os dois?

Só para pensar.

Tchau,

Carla

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