domingo, 27 de setembro de 2020

Paulo Freire e a Educação Bancária

 Olá,

Nesse período de pandemia e isolamento forçado, eu - professora - fui orientada a participar de 'lives', 'workshops', cursos, aulas, e outros, sobre a Educação. 

Uma das 'lives' é uma série de homenagens ao Paulo Freire. Amados por uns e odiados por outros, ele faz parte da Educação Brasileira

Consegui ler um livro dele 'A importância do ato de ler' (da biblioteca do meu trabalho), e é perceptível como - diante do público que ele atuou (o que hoje chamamos de EJA) - a importância desses outros tipos de leitura, não somente a escrita. 

Aliás, é algo defendido por Johann Heinrich Pestalozzi, um dos precursores da Escola Nova, Escola Progressista ou Escola Ativa. Pestalozzi defendia que o educando deveria ser o protagonista da sua Educação e, de acordo com uma observação que ele fez de uma mamãe com seus filhos ele conclui a importância da fala e comunicação antes da escrita e, que o aprendizado é mais eficaz quando existe afeto. 

Emmi Pikler, Maria Montessori, Rudolf Steiner (Abordagem Waldorf) e Loris Malaguzzi  (Abordagem Reggio Emília) também enfatizam a criança como protagonista da sua Educação, mas cada um com suas peculiaridades. Por exemplo, a abordagem desenvolvida por Emmi Pikler foca mais em crianças de 0 a 3 anos de idade (vocês não tem noção do medo que eu tenho da 'moleira' do neném novo 😱😱😱😱).

Todos eles desaprovam o que Paulo Freire apelidou de 'Educação Bancária', isto é, um depósito/transmissão - repleta de saliva - do conhecimento do professor para o aluno (ser ignorante e sem luz) que deverá permanecer imutável em seu banco (cadeira mais largas de madeira ou cimento).

Todos esses educadores estudiosos vivenciaram momentos de muita dificuldade em suas vidas, com muita fome, brigas, ausência de diálogo, preconceito, machismo, racismo e solidão. Alguns até as Grandes Guerras Mundiais. 

E todos os educadores aqui citados trabalharam com minorias sociais, ou seja, pobres ou rejeitados pela sociedade ou meninos de rua ou abandonados em hospitais psiquiátricos/orfanatos ou adultos analfabetos trabalhadores (Paulo Freire). É até estranho imaginar a abordagem/metodologia deles como artigo de luxo almejado por escolas particulares caras.

Todos essas abordagens pedagógicas são considerados métodos de Educação Alternativa, mesmo com estudos comprovado a eficácia.

No caso do Pestalozzi, Montessori e Paulo Freire dá para perceber fortes ações missionárias, mas não percebi o enfoque em mudar a religião do outro. Talvez tenha lido muito pouco. É que tem pessoas que são assim: "... por Cristo, com Cristo e em Cristo..."

Os 'haters' do Paulo Freire alegam que ele e suas ideias comunistas contaminaram as Universidades Públicas. Eu estudei na Universidade Pública de 2001 a 2006 e não vi nenhuma dessas teorias sendo aplicadas nem nas aulas focadas em Licenciatura/Pedagogia. 

Não entendo odiar tanto algo que não existe na prática. Pode ser que nos projetos de Extensão Universitária aconteça algo mais. 

Meus professores universitários praticavam a 'Educação Bancária', porque foi o jeito que eles foram educados e alcançaram seus objetivos. Isso não significa que a maioria da população mundial tenha obtido sucesso dessa forma.

Quebrar um ciclo vicioso é muito difícil, dá trabalho a longo prazo, mas acho que vale a pena. 

Com carinho,

Carla

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