sexta-feira, 7 de junho de 2019

Meu amigo de infância Piuí

Olá,

Tenho muitas histórias desse meu amigo de infância.

Lembro das férias na casa da tia. O Piuí era bem agitado. Esperava eu e minha prima adormecer, colocava pimenta malagueta nas nossas bocas e começava a confusão. Acordávamos em um instante com as beiças tudo ardendo e ele rolando de tanto ri. A minha tia logo gritava:
- Que confusão é essa? .... Passa Kolynos na boca que melhora!

Mas o pior era na noite de lua cheia. Ele esperava entrarmos no sono profundo, e entrava no quarto gritando que era o lobisomem. Uma vez, minha prima ficou tão assustada que minha tia teve que fazer um chá calmante. 

Vivia atormentando nós duas. Na irmã dele, minha prima, colocou o apelido de Bob Marley e eu era o Esqueleto (He man).

Haviam me ensinado que crianças não podiam falar palavras feias. Por causa de uma briga entre nós, ele entrou no quarto e ficou gritando: 
- CAPETA, CAPETA, CAPETA, CAPETA .... Hoje vocês vão encontrar a feraaaaaa do inferno!
Nossa! Eu não consegui dormir, porque fiquei com medo do capeta aparecer debaixo da cama.  Menina que não dorme bem a noite, é choradeira garantida durante o dia. Dito e feito.

E Piuí saiu com o seu irmão mais velho para uma balada de carnaval e voltou estranho por causa de uma coisa que só adultos podem beber. Minha tia gritou: 
- Meninas, saiam daqui, que isso é coisa de gente grande! 
Mas a nossa vingança foi escutar debaixo da porta:  
- Mãeeeeee! Eu tô doido! Eu fiquei peladãoooooo...

Saudade daquele o nosso almoço no bananal com o chef Piuí! Foi o dia que a criançada comeu tudinho!

E Piuí... é porque ele sabia todos os horários do trem e quando podia corria atrás de um gritando: “Piuíííí!” pelas terras vermelhas de Itabira. 

Por algum motivo, algumas pessoas vão embora mais cedo. E a leucemia levou esse parente meu.  Adeus Piuí e que você chegue num trem bem confortável no céu!

             Carla

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