sexta-feira, 14 de junho de 2019

Greve geral, IDEB e educação


Olá,


Eu estudei na escola pública praticamente a vida inteira. Tenho algumas boas lembranças de colegas de sala e professores, mas quanto a estrutura – prédio, mesas, cadeiras... – eu sempre reclamei. Uma coisa que me incomodava era o número de alunos em sala. Sempre achei muito e afetava a qualidade de aprendizagem também.

Os anos foram passando e, com dificuldade, consegui uma vaga no curso de licenciatura na universidade pública. Tive de me deslocar para conseguir o tal sonhado diploma, mas fui. Assim que formei, comecei a trabalhar como professora e a questionar várias coisas que pareciam não ter se alterado com os anos, aliás em alguns quesitos até pioraram:
  • Por que em um momento da História da Brasil em que está acontecendo um aumento na inclusão social e econômica, o número de alunos por sala continua o mesmo?
  • Por que, ao acontecer modificações na escola, nunca vemos um engenheiro ou arquiteto fazendo o acompanhamento das obras com sugestões dos educadores?
  • Por que algumas salas de atividades específicas, como laboratórios e jogos, foram desmanchadas sem aviso prévio ou autorização dos professores atuantes?
  • Por que em algumas escolas sofríamos ameaças estipulando o máximo de alunos que deveriam ser retidos? (É, alguns alunos são aprovados sem o mínimo de domínio em áreas como Língua Portuguesa e Matemática esperado para a faixa etária).

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Até o momento o dia que me explicaram sobre o tal do IDEB: Índice de Desenvolvimento da Educação Básica foi criado em 2007 e reúne, em um só indicador, os resultados de dois conceitos igualmente importantes para a qualidade da educação: o fluxo escolar e as médias de desempenho nas avaliações. Site: IDEB.

Isto é, são duas variáveis que afetam essa pontuação do IDEB:
  • Número de alunos;
  • Desempenho nas avaliações externas aplicadas, durante o turno, para os alunos visando diagnosticar o nível de aprendizagem esperado para a série ou ano avaliado.

Mas o que eu não sabia é que vários professores concursados em mandatos eletivos (direção, inspetores, secretaria, secretários e gerentes da Educação) recebem/recebiam gratificações (aumento salarial) para manter ou aumentar o IDEBPutz! E aí começa a bagunça!!!

Um local que era para ter melhorado virou um inferno: salas de aula com infiltrações; mesas e cadeiras muito pesadas para crianças pequenas; escola com muitos projetos e pouco espaço; excesso de alunos em sala; baixo rendimento; professores doentes...

Antes já tínhamos problemas com faltas de verbas, mas os problemas pioraram devido a gestão e bom senso.

Hoje, estou participando da GREVE GERAL, mas fiquei sem graça de gritar pelos direitos de educação de qualidade. Porque os professores tem uma parcela de culpa nessa destruição do ensino público!


Não sei se isso teria ou tem acontecido por politicagem, mas eu não teria coragem de adoecer um colega de trabalho para conseguir dinheiro as custas dele! Ficaria com vergonha!

Tchau,

Carla

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