sábado, 22 de junho de 2019

Essa semana e as redes sociais


Olá,

Aprendi, em Viçosa/MG, que preciso compartilhar com o meu próximo aquilo que adquiri como conhecimento.

E um dia estive a pensar como poderia ajudar a Educação a se tornar melhor.

Cheguei a conversar com alguns colegas de trabalho e haviam várias suposições para o mau comportamento ou baixo índice de leitura entre os alunos. Mas não tínhamos nada concreto.

Lembrei do filme da Temple Grandin que, para conseguir que seu Abraço Mecânico continuasse no campus, ela teve que fazer uma pesquisa com voluntários testando o seu aparelho enquanto eles respondiam um questionário sobre as sensações que o mesmo provocava nelas durante o abraço exótico.

Não sei por qual motivo eu demorei muito para me tocar que poderia fazer algo similar, mas para responder uma pergunta docente: Por que os alunos não estão lendo quanto deveriam?

Montei um questionário com aproximadamente 30 perguntas, mostrei aos professores de Língua Portuguesa e fui à caça de alunos. Muitos se recusaram a responder (Vale ponto, professora?), alguns chutaram qualquer resposta...; mas foi uma minoria diante de um grupo que respondeu com certa seriedade – Ok! Eu alterei o tom voz para conseguir o que queria. A coleta de dados aconteceu em dezembro de 2018 e, esse ano, consegui fazer alguns gráficos para mostrar aos professores de Língua Portuguesa e dar um norteamento para ações mais precisas.
...

Faz um tempo que recebo convites para entrar na rede social para negócios Linked IN. Acho legal a ideia de deixar seu currículo para todos verem. Mas o que vou dizer sobre mim?

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O Curriculum Lattes também é interessante, mas focado na formação acadêmica. E novamente a dúvidas: o que vou dizer sobre mim? Vamos tentar:

Carla Fernandes

“Quase 40 anos, mas dependendo da situação fala que tem 50 anos para escutar: Nossa! Como você está conservada!

“Pessoa esquisita que investiu na beleza para parecer menos esquisita.”

“Fez Licenciatura em Ciências Biológicas na UFV, porque não conseguiu terminar uma disciplina da Botânica para ter direito ao bacharel – a professora ficava me observando, sentia medo dela e larguei a disciplina.”

“Queria ser modelo profissional porque escutou a infância inteira que era magrela, raramente falava e andava na ponta dos pés. Aos poucos, foi descobrindo que gostava mais da fotografia e arte.”

“Após a faculdade, fez um curso técnico em Química, pois queria entender mais sobre as plantas e investir no mestrado. Gostou muito do curso, mas ao pesquisar sobre o mestrado perto de um menino de 5 anos, ele questionou: Mestrado serve para quê?, como não conseguiu responder a pergunta, ela desistiu do mestrado.”

“Desde o término da faculdade, ela é professora.”

“Se inspirou em Temple Grandin para fazer questionários de Língua Portuguesa.”

“Ponto final.”
...

Durante um período, eu fuçava as redes sociais e ficava imaginando que eu tinha tantos amigos em comuns com uma determinada pessoa, mas porque será que eu nunca fiz amizade com ela? Sempre nos mesmos lugares e com as mesmas companhias... por que será que ele nunca me cumprimentou?

E me culpava... procurava defeitos ou episódios da minha vida que me tornavam tão assim... 

Até o momento que dei um basta... a ideia de ser inimiga me tranquilizou. 😈😈😈


Tchau,

Carla

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Greve geral, IDEB e educação


Olá,


Eu estudei na escola pública praticamente a vida inteira. Tenho algumas boas lembranças de colegas de sala e professores, mas quanto a estrutura – prédio, mesas, cadeiras... – eu sempre reclamei. Uma coisa que me incomodava era o número de alunos em sala. Sempre achei muito e afetava a qualidade de aprendizagem também.

Os anos foram passando e, com dificuldade, consegui uma vaga no curso de licenciatura na universidade pública. Tive de me deslocar para conseguir o tal sonhado diploma, mas fui. Assim que formei, comecei a trabalhar como professora e a questionar várias coisas que pareciam não ter se alterado com os anos, aliás em alguns quesitos até pioraram:
  • Por que em um momento da História da Brasil em que está acontecendo um aumento na inclusão social e econômica, o número de alunos por sala continua o mesmo?
  • Por que, ao acontecer modificações na escola, nunca vemos um engenheiro ou arquiteto fazendo o acompanhamento das obras com sugestões dos educadores?
  • Por que algumas salas de atividades específicas, como laboratórios e jogos, foram desmanchadas sem aviso prévio ou autorização dos professores atuantes?
  • Por que em algumas escolas sofríamos ameaças estipulando o máximo de alunos que deveriam ser retidos? (É, alguns alunos são aprovados sem o mínimo de domínio em áreas como Língua Portuguesa e Matemática esperado para a faixa etária).

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Até o momento o dia que me explicaram sobre o tal do IDEB: Índice de Desenvolvimento da Educação Básica foi criado em 2007 e reúne, em um só indicador, os resultados de dois conceitos igualmente importantes para a qualidade da educação: o fluxo escolar e as médias de desempenho nas avaliações. Site: IDEB.

Isto é, são duas variáveis que afetam essa pontuação do IDEB:
  • Número de alunos;
  • Desempenho nas avaliações externas aplicadas, durante o turno, para os alunos visando diagnosticar o nível de aprendizagem esperado para a série ou ano avaliado.

Mas o que eu não sabia é que vários professores concursados em mandatos eletivos (direção, inspetores, secretaria, secretários e gerentes da Educação) recebem/recebiam gratificações (aumento salarial) para manter ou aumentar o IDEBPutz! E aí começa a bagunça!!!

Um local que era para ter melhorado virou um inferno: salas de aula com infiltrações; mesas e cadeiras muito pesadas para crianças pequenas; escola com muitos projetos e pouco espaço; excesso de alunos em sala; baixo rendimento; professores doentes...

Antes já tínhamos problemas com faltas de verbas, mas os problemas pioraram devido a gestão e bom senso.

Hoje, estou participando da GREVE GERAL, mas fiquei sem graça de gritar pelos direitos de educação de qualidade. Porque os professores tem uma parcela de culpa nessa destruição do ensino público!


Não sei se isso teria ou tem acontecido por politicagem, mas eu não teria coragem de adoecer um colega de trabalho para conseguir dinheiro as custas dele! Ficaria com vergonha!

Tchau,

Carla

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Meu amigo de infância Piuí

Olá,

Tenho muitas histórias desse meu amigo de infância.

Lembro das férias na casa da tia. O Piuí era bem agitado. Esperava eu e minha prima adormecer, colocava pimenta malagueta nas nossas bocas e começava a confusão. Acordávamos em um instante com as beiças tudo ardendo e ele rolando de tanto ri. A minha tia logo gritava:
- Que confusão é essa? .... Passa Kolynos na boca que melhora!

Mas o pior era na noite de lua cheia. Ele esperava entrarmos no sono profundo, e entrava no quarto gritando que era o lobisomem. Uma vez, minha prima ficou tão assustada que minha tia teve que fazer um chá calmante. 

Vivia atormentando nós duas. Na irmã dele, minha prima, colocou o apelido de Bob Marley e eu era o Esqueleto (He man).

Haviam me ensinado que crianças não podiam falar palavras feias. Por causa de uma briga entre nós, ele entrou no quarto e ficou gritando: 
- CAPETA, CAPETA, CAPETA, CAPETA .... Hoje vocês vão encontrar a feraaaaaa do inferno!
Nossa! Eu não consegui dormir, porque fiquei com medo do capeta aparecer debaixo da cama.  Menina que não dorme bem a noite, é choradeira garantida durante o dia. Dito e feito.

E Piuí saiu com o seu irmão mais velho para uma balada de carnaval e voltou estranho por causa de uma coisa que só adultos podem beber. Minha tia gritou: 
- Meninas, saiam daqui, que isso é coisa de gente grande! 
Mas a nossa vingança foi escutar debaixo da porta:  
- Mãeeeeee! Eu tô doido! Eu fiquei peladãoooooo...

Saudade daquele o nosso almoço no bananal com o chef Piuí! Foi o dia que a criançada comeu tudinho!

E Piuí... é porque ele sabia todos os horários do trem e quando podia corria atrás de um gritando: “Piuíííí!” pelas terras vermelhas de Itabira. 

Por algum motivo, algumas pessoas vão embora mais cedo. E a leucemia levou esse parente meu.  Adeus Piuí e que você chegue num trem bem confortável no céu!

             Carla