sábado, 16 de fevereiro de 2019

O fim da era Donata

Olá,

Cheguei no meu trabalho e povo estava falando de uma socialite que tinha feito uma foto racista para revista sobre ricos e famosos. E fiquei pensando quem seria essa louca?

Fui procurar mais informações na internet e me deparei com a foto que foi considerada racista e uma reportagem sobre o que teria acontecido.

Donata Meirelles é editora chefe da VOGUE, revista luxo para pessoas da moda, consultório/clínica médica/odontológica de gente chique/ madame. Nunca tive assinatura, mas já li diversas vezes porque gosto de bisbilhotar a vida das "high society". Ela também foi uma das chefes da DASLU, loja paulistana que já abrigou muitos artigos de luxo das grifes mais cobiçadas e caras do mundo. Tem mais uma: ela é mãe da HELENA BORDON, blogueira de ricos e famosos e uma das mais influentes no Brasil. 

Foto polêmica da Donata numa festa. Site da foto: OP9
Fizeram montagens com comparações sobre as vestimentas de "sinhá com suas mucamas" da época da escravidão com as imagens da socialite:

Foto do site Diário do Centro do Mundo

Vários artistas opinaram sobre o acontecimento. Até Elza Soares se pronunciou de forma bem estilosa: 

Foto do site Blog da Cidadania.
Eu não estava na festa. Você não estava na festa. E colocaram somente uma parte da foto para divulgação, porque a foto do ambiente inteiro, não traz somente uma cadeira para "sinhá", mas duas cadeiras para as vendedoras de luxo de acarajé - esse tipo de roupa é o mesmo que as vendedoras de acarajé usam em Salvador, Itacaré, Porto Seguro e Arraial d'Ajuda, cidades baianas que visitei repletos de baianas do acarajé. Será que a festa tinha acarajé?

Foto do site Metro 1

A ricaça até se desculpou (leia abaixo) e pediu demissão da revista de madame - será que ela tem que cumpri o aviso prévio? -, mas não adiantou: o povo ficou bravo.  

"Ontem comemorei meus 50 anos em Salvador, cidade de meu marido e que tanto amo. Não era uma festa temática. Como era sexta-feira e a festa foi na Bahia, muitos convidados e o receptivo estavam de branco, como reza a tradição. Mas vale também esclarecer: nas fotos publicadas, a cadeira não era uma cadeira de Sinhá, e sim de candomblé, e as roupas não eram de mucama, mas trajes de baiana de festa. Ainda assim, se causamos uma impressão diferente dessa, peço desculpas. Respeito a Bahia, sua cultura e suas tradições, assim como as baianas, que são Patrimônio Imaterial desta terra que também considero minha e que recebem com tanto carinho os visitantes no aeroporto, nas ruas e nas festas. Mas, como dizia Juscelino, com erro não há compromisso e, como diz o samba, perdão foi feito para pedir." Donata Meireles

O que mais me chamou a atenção foi o fato das pessoas que seriam as mais prejudicadas nessa imagem, as moças vestidas de vendedoras de acarajé - intituladas de "mucamas" - não serem ouvidas após a tal festa ofensiva. Algo me diz que a negra sendo vítima ou não, não tem direito a voz. E isso é triste. 

Está difícil achar uma banca de revistas nessa crise e com tudo disponível na internet, mas achei a revista Vogue de fevereiro... não sei se será a última com a  nata da "high society", ops, Donata como editora:



Amo Havaianas!


Deixei o meu sofá horroroso aparecendo...
revista de luxo no sofá avacalhado... 😂

Adoro batom, até os estranhos.

Sofisticado é lutar pela educação
de qualidade para todos!


Ainda não posso ler a revista, pois eu obedeço a uma ordem de leitura que, frequentemente, é interrompida pelo trabalho. Então, ainda estou terminando o "O mundo de Sofia". Depois tenho a Revista ULTIMATO - "con.ten.ta.men.to" Janeiro/Fevereiro 2019 -, ganhei a assinatura de presente de uma mãe, e agora vovó, que me ajudou muito quando morei em Viçosa/UFV. A lista de leitura é gigante e ainda nem adquiri os livros do canal "Mundo Asperger". 📚🤓

Ela é uma senhora muito religiosa e prometi de visitá-la esse ano, mas eu não tenho a mínima ideia do que levar como presente. Então, decidi agradar as netas. Consegui um kit de costura para crianças, mas estou adaptando, pois as netinhas são pequenas para lidar com alfinetes e agulhas. Estou aprendendo com as leis de inclusão social e as técnicas de Maria Montessori a adaptar as coisas ao meu redor, tanto para mim quanto para os outros. Mas não é fácil. Mesmo autista, ainda me acho muito bruta/selvagem.

Substituindo os alfinetes e agulhas por
prendedores decorados e cola de silicone.
Minha costura é horrível, mas aprendi um pouco brincando. 
Não sei se a Donata Meireles aprendeu um pouco de costura, mas acho que ela foi a azarada dessas fotos de duplo sentido que a gente vive vendo nas redes sociais:


Eu já critiquei a revista, mas na verdade não queria criticar a revista em si. Queria criticar as leitoras: madames soberbas e chatas.


Tenho a curiosidade de saber se a música Vogue, da Madonna, foi inspirado na revista:


Abraços,

Carla

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