segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

O que querem com o projeto Escola Sem Partido?

Olá,

Eu vi esse texto sobre Escola Sem Partido em uma publicação voltada para os professores sindicalizados de Belo Horizonte/MG. Achei interessante e compartilho com você:

"O que querem com o projeto Escola Sem Partido?

Uma Escola Sem Partido é uma escola que possibilita e estimula a pluralidade e o debate de ideias. Todos nós defendemos que as escolas públicas devam ser laicas, sem religião e sem partido. Queremos que nossos estudantes, pais, e responsáveis participem do debate de como nossas escolas devam ser organizadas e da discussão dos mais diversos assuntos.

Uma escola onde só um tipo de ideia pode existir é uma escola com partido, é uma escola que perde em conhecimento.

Mas, o que os projetos de lei intitulados "Escola Sem Partido" na verdade propõem é uma escola de partido único. Os defensores do projeto, em sua maioria, querem que eliminemos das escolas os debates e discussões sobre a realidade de nosso país. Não há como uma escola não discutir as desigualdades sociais, religiosas, estéticas e de orientações sexuais que existem em nossa sociedade e que existem dentro das escolas. É impossível que as escolas sejam indiferentes às imensas desigualdades econômicas e sociais, ao preconceito que leva a uma enorme violência contra trabalhadores pobres, negros e negras, indígenas, mulheres, homossexuais e travestis. Estas questões não estão nas nossas ideias, mas na realidade, nas ruas, em nossas casas e nas escolas.

Nas propagandas e mesmo no texto da lei, os idealizadores do projeto, incentivam as crianças e jovens a vigiarem seus professores. Esta prática tem estimulado o aumento da violência contra os trabalhadores dentro das escolas, e isso não podemos aceitar.

Ninguém pode impedir que os trabalhadores de educação lutem pelos seus próprios direitos e pelos estudantes. Não podem impedir que digam aos nossos estudantes que todos devem lutar pelo seus direitos."

Fonte: Boletim da Rede - Janeiro 2018 - ED. 152

Eu concordo plenamente que a escola tenha que ser sem partido e laica para respeitar cada um. Mas criar campanhas e incentivar pais, crianças e adolescentes a agredir um professor é demais.

Semana passada tivemos problema em uma das salas de aula, pois choveu e teve muitas infiltrações. Tivemos que mudar de um lugar para outro, pois a escola tem uma infraestrutura muito precária. Resultado: uma turma praticamente não teve aula.

Conversei com a turma prejudicada e expliquei que eles têm total direito de reclamar e denunciar o acontecido. Não fiquei sabendo de ninguém que tenha denunciado. 

É muito chato sentir essa perseguição! 

Não sei em qual ano apareceu um homem com muitas Bíblias e doou para cada aluno que entrava na escola. Eu sei que muitas pessoas valorizam muito a religião, mas não precisava disso. Caso queira ajudar, entre em contato primeiro com a direção escolar e pergunte o que estão precisando. É mais respeitoso.  

Tchau,

Carla

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Militares x USP

Olá,

Esses dias teve uma confusão entre alunos que entraram pelo sistema de cotas e, uma das mais famosas universidades públicas do Brasil, a USP

A USP teria cancelado a matrícula dos alunos selecionados no último vestibular, alegando que eles seriam provenientes dos Colégios Militares (do Exército) e que este não seria visto como merecedor de cota, pois os alunos que ali frequentam pagam mensalidades e possuem uma boa infraestrutura.  

Após protestos, a USP cancelou a decisão e re-matriculou alguns desses estudantes. Por sua vez, o Exército declarou que a decisão da universidade seria um ataque político por causa de atual presidente Jair Bolsonaro. Leia: Exército acusa USP de ataque político

Colégios Militares, tanto os dirigidos pelo Exército quanto os da Polícia Militar, são um benefício para os filhos daqueles que prestam um serviço a nação. Os pais, exceto alguns casos, gostam desse tipo de disciplina e desejam que seus filhos sigam isso. 

Tenho uma amiga de infância que estudou no Colégio Militar de Belo Horizonte - do Exército - e... talvez reclamasse da semana de provas, mas no geral amava o Colégio, a disciplina, o uniforme, ... e tem um carinho por eles até hoje.  

Não sei em relação a outros colégios militares, mas o de Belo Horizonte situa-se em um bairro de classe alta, então não sei se filhos de soldados - uma hierarquia considerada baixa - conseguiriam se manter ali.

"A entrada maciça dos filhos de praças – segmento menos favorecido na pirâmide social das Forças Armadas – cria uma clivagem em relação ao público advindo dos concursos, esse selecionado fortemente a partir da classe média brasileira, e mais próximo do ideário alimentador da identidade castrense." Leia mais: Dimensionando os colégios militares

Mas tem uma reportagem da Andifes que mostra que "Escolas federais custam menos e têm desempenho superior que colégios militares" com uma belíssima foto do Coluni (Colégio Federal de Ensino Médio). Como eu estudei na UFV e tinha vários colegas que eram do Coluni posso te garantir: nunca conversei com alguém que era do Coluni e que tenha estudado anteriormente em escola pública (municipal ou estadual). 

Então, a excelência de um Coluni, por exemplo, reflete as escolas ou cursos preparatórios particulares. O mesmo acontece com filhos de civis aprovados em Colégios Militares. 


Direita e Esquerda: parem de fazer propaganda falsa! 

Tchau,

Carla

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

O problema é ele!

Olá,

Mais uma notícia triste de agressão a mulher. Desta vez no Rio de Janeiro:

Elaine Perez é espancada por 4 horas no RJ e
suspeito é preso em flagrante. Site.

Possíveis justificativas desta agressão:

1. Mas ela o conheceu pelas redes sociais, não é?

Casal que se conheceu pela internet estão casados há 5 anos.
Foto e reportagem do site G1.

2. Mas ela é mais velha, não é?

Diferença de idade não parece ser problema para Túlio...

... e nem para Hugh Jackman.

3. Eles beberam álcool, não é?

Nessa hora a culpa é toda do álcool. Isso porque não tem boca, dentes,
braços, pernas e nem mente perversa.
4. Ela estava fácil demais, sexo no primeiro encontro!

O julgamento do assassinato de Natália Paiva, jovem estuprada e
morta pelo Maníaco de Contagem. Ele fingiu ser assaltante.

Pessoas como Vinícius estão muito doentes. O fato de não ser um homem, já é justificativa para atos agressivos contra aquele que ele considera inferior seja mulher, criança, animal, homossexual, idoso, deficiente, etc.

O problema não é idade, hora, local onde conheceram, ..., o problema é ele

Não sei o que o tornou tão doente. Isso é serviço de investigação para psicólogos e psiquiatras, mas nenhuma explicação justifica tamanha violência contra uma mulher que queria somente namorar por um dia ou a vida inteira.

Muito triste! 

Carla

sábado, 16 de fevereiro de 2019

O fim da era Donata

Olá,

Cheguei no meu trabalho e povo estava falando de uma socialite que tinha feito uma foto racista para revista sobre ricos e famosos. E fiquei pensando quem seria essa louca?

Fui procurar mais informações na internet e me deparei com a foto que foi considerada racista e uma reportagem sobre o que teria acontecido.

Donata Meirelles é editora chefe da VOGUE, revista luxo para pessoas da moda, consultório/clínica médica/odontológica de gente chique/ madame. Nunca tive assinatura, mas já li diversas vezes porque gosto de bisbilhotar a vida das "high society". Ela também foi uma das chefes da DASLU, loja paulistana que já abrigou muitos artigos de luxo das grifes mais cobiçadas e caras do mundo. Tem mais uma: ela é mãe da HELENA BORDON, blogueira de ricos e famosos e uma das mais influentes no Brasil. 

Foto polêmica da Donata numa festa. Site da foto: OP9
Fizeram montagens com comparações sobre as vestimentas de "sinhá com suas mucamas" da época da escravidão com as imagens da socialite:

Foto do site Diário do Centro do Mundo

Vários artistas opinaram sobre o acontecimento. Até Elza Soares se pronunciou de forma bem estilosa: 

Foto do site Blog da Cidadania.
Eu não estava na festa. Você não estava na festa. E colocaram somente uma parte da foto para divulgação, porque a foto do ambiente inteiro, não traz somente uma cadeira para "sinhá", mas duas cadeiras para as vendedoras de luxo de acarajé - esse tipo de roupa é o mesmo que as vendedoras de acarajé usam em Salvador, Itacaré, Porto Seguro e Arraial d'Ajuda, cidades baianas que visitei repletos de baianas do acarajé. Será que a festa tinha acarajé?

Foto do site Metro 1

A ricaça até se desculpou (leia abaixo) e pediu demissão da revista de madame - será que ela tem que cumpri o aviso prévio? -, mas não adiantou: o povo ficou bravo.  

"Ontem comemorei meus 50 anos em Salvador, cidade de meu marido e que tanto amo. Não era uma festa temática. Como era sexta-feira e a festa foi na Bahia, muitos convidados e o receptivo estavam de branco, como reza a tradição. Mas vale também esclarecer: nas fotos publicadas, a cadeira não era uma cadeira de Sinhá, e sim de candomblé, e as roupas não eram de mucama, mas trajes de baiana de festa. Ainda assim, se causamos uma impressão diferente dessa, peço desculpas. Respeito a Bahia, sua cultura e suas tradições, assim como as baianas, que são Patrimônio Imaterial desta terra que também considero minha e que recebem com tanto carinho os visitantes no aeroporto, nas ruas e nas festas. Mas, como dizia Juscelino, com erro não há compromisso e, como diz o samba, perdão foi feito para pedir." Donata Meireles

O que mais me chamou a atenção foi o fato das pessoas que seriam as mais prejudicadas nessa imagem, as moças vestidas de vendedoras de acarajé - intituladas de "mucamas" - não serem ouvidas após a tal festa ofensiva. Algo me diz que a negra sendo vítima ou não, não tem direito a voz. E isso é triste. 

Está difícil achar uma banca de revistas nessa crise e com tudo disponível na internet, mas achei a revista Vogue de fevereiro... não sei se será a última com a  nata da "high society", ops, Donata como editora:



Amo Havaianas!


Deixei o meu sofá horroroso aparecendo...
revista de luxo no sofá avacalhado... 😂

Adoro batom, até os estranhos.

Sofisticado é lutar pela educação
de qualidade para todos!


Ainda não posso ler a revista, pois eu obedeço a uma ordem de leitura que, frequentemente, é interrompida pelo trabalho. Então, ainda estou terminando o "O mundo de Sofia". Depois tenho a Revista ULTIMATO - "con.ten.ta.men.to" Janeiro/Fevereiro 2019 -, ganhei a assinatura de presente de uma mãe, e agora vovó, que me ajudou muito quando morei em Viçosa/UFV. A lista de leitura é gigante e ainda nem adquiri os livros do canal "Mundo Asperger". 📚🤓

Ela é uma senhora muito religiosa e prometi de visitá-la esse ano, mas eu não tenho a mínima ideia do que levar como presente. Então, decidi agradar as netas. Consegui um kit de costura para crianças, mas estou adaptando, pois as netinhas são pequenas para lidar com alfinetes e agulhas. Estou aprendendo com as leis de inclusão social e as técnicas de Maria Montessori a adaptar as coisas ao meu redor, tanto para mim quanto para os outros. Mas não é fácil. Mesmo autista, ainda me acho muito bruta/selvagem.

Substituindo os alfinetes e agulhas por
prendedores decorados e cola de silicone.
Minha costura é horrível, mas aprendi um pouco brincando. 
Não sei se a Donata Meireles aprendeu um pouco de costura, mas acho que ela foi a azarada dessas fotos de duplo sentido que a gente vive vendo nas redes sociais:


Eu já critiquei a revista, mas na verdade não queria criticar a revista em si. Queria criticar as leitoras: madames soberbas e chatas.


Tenho a curiosidade de saber se a música Vogue, da Madonna, foi inspirado na revista:


Abraços,

Carla

domingo, 10 de fevereiro de 2019

União com o melhor de cada um

Olá,

Estava conversando com uma colega de trabalho sobre uma aula que a filha dela - 5 anos - teve na escola que aplica a Pedagogia Waldorf: tricô de dedinhos. Achei esse vídeo na internet, para quem nunca viu entender:


Cada dedinho assume uma importância muito grande nessa aula de artesanato e a união deles permite o desenvolvimento de um belo cachecol.

O mesmo vale para nós. Quando atuamos em coletivo pelo bem comum, conseguimos coisas magníficas. Desejo que incidentes desagradáveis fiquem como aprendizados para um futuro melhor.

Não tive esse tipo de aula na escola, tínhamos algumas aulas de artesanato ligados a datas comemorativas, como Dia das Mães. Nas férias aprendia ponto e cruz ... eu sempre conseguia espetar o dedo, mas era bom. 😂

Para conseguir entender os meus alunos, tento brincar com algumas coisas que eles gostam: já tenho um spinner verde, já mexi no slime (não gosto muito, meu irmão jogou no meu cabelo uma vez... arghhh), fiz um colar na Escola Aberta,... eu tento assistir filmes infantis, mas não consigo... eles - meus alunos - vivem me perguntando qual filme eu já assistir... passo vergonha! Até hoje não tive oportunidade de assistir Corrente do Bem, Tinker Bell, Touro Ferdinando, ...

Filme com o tema união: 

Divertida Mente!


Abraços,

Carla