segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Ensino Domiciliar x Escolas

Olá,

Mexendo no Instagram observei as postagens de uma colega de faculdade: sempre na companhia dos filhos mostrando algo como se fosse uma aula em casa com as hashtags: #ensinodomiciliar e #homescholling

Fiquei curiosa e perguntei para ela mais a respeito disso. Já tinha ouvido falar desse método de ensino, mas sempre no exterior e nunca no Brasil. Ela me explicou o que era e como estava funcionando. Amei!

Existem diversos motivos para alguém optar por este tipo de ensino para os filhos: preço das mensalidades escolares, métodos escolares arcaicos, estar mais presente na companhia dos filhos, bullying, doenças graves, religião, etc. Não cabe a mim julgar o motivo dessa escolha, mas eu achei algo bem interessante.

Essa minha colega se chama Maressa e atualmente ela mantem um blog: Família Cacau, onde ela conta as atividades que ela tem desenvolvido com os filhos. Desde a faculdade, ela tem uma prática constante da religião, então acredito que os filhos dela têm a oportunidade de convivência com outras crianças na Igreja deles. Ensino domiciliar não é isolamento social.

E estou me surpreendendo com ela: os meninos podem ler até Harry Potter. Tipo, ela é muito aberta! Muito dedicada. Sou fã! 

Esse período pós ENEM, depois de boas aulas de Filosofia & Sociologia que tive com a TV Poliedro e o Proenem, eu decidi ler um pouco mais sobre pessoas que propuseram novidades para a educação. Comecei com Maria Montessori: primeira mulher e médica a se graduar na Universidade de Roma e segunda médica graduada na Europa. Viva! 👏👧👩

Naquela época, os consultórios só podiam ter médicos homens, então ela teve de trabalhar como  médica assistente no setor de psiquiatria, cuidando de crianças idiotas - termo da época para retardado -. Aos poucos, ela desenvolveu toda uma metodologia criar e ampliar a autonomia dessas crianças, que hoje seriam classificadas como autistas (meu caso: sim, já estudei em sala para especiais - sala da dona Lúcia na escola estadual), esquizofrênicos, etc.

Terminei de ler um livro da série Coleção Educadores do MEC: Maria Montessori - Hermann Röhrs e estou encantada com a seriedade que ela teve em transformar a educação em algo mais agradável, amável e respeitoso com a criança, família, comunidade e a humanidade.   

As metas dela com a autonomia infantil, lembram uma versão refinada de uma educação diferenciada de culturas tradicionais, como quilombolas e indígenas. 

E aí, entrar em uma sala de aula ficou mais difícil, por que o olhar começar a mudar. Talvez se fosse mãe e por esse ângulo não deixaria meu filho ou filha nessas escolas. As mesas e cadeiras tão antigas e pesadas... salas lotadas e heterogêneas... falta de espaço... esses são alguns problemas da escola pública. As escolas precisam de mais autonomia e turma reduzidas para conseguir uma melhoria. A violência é só uma das repercussões dessa metologia arcaica e que deixa professores e alunos muito estressados.

Mas eu já fui nas particulares, onde os problemas não são tão diferentes. A maioria das privadas em capitais alugam as salas para empresas de concursos e vestibulares, então eles têm de ter salas de aulas repletas de cadeiras, mesas pesadas e zero mobilidade. Um horror!

Abaixo estão alguns links e vídeos interessantes:

1. Família Cacau - ensino domiciliar cristão.

2. BrasilCoop - são famílias que produzem materiais e compartilham no site para os associados.

3. Aned - também é uma associação para ensino domiciliar.

4. Esse vídeo apresenta um resumo sobre Maria Montessori:



5. Youtuber Mônica Medeiros - mamãe

6. Youtuber Isa Minatel - mamãe e psicopedagoga.


Se souber mais informações, eu publico depois. 

Tchau,

Carla

domingo, 25 de novembro de 2018

ENEM e outras notícias

Olá,

Apesar de um pouco contrariada com muitas notícias ruins, eu fiz a prova do ENEM

Foram dois dias exaustivos, mas no segundo dia tive um contratempo: dor de cabeça. Tive de parar tudo, tomar um medicamento e ir ao banheiro para andar um pouco fazer circular o sangue. 

Vi várias polêmicas a respeito da prova, inclusive sobre uma questão falando sobre travestis... depois que você fez e entregou a prova, não adianta ficar ressentindo nada. Apesar dos 30 minutos adicionais do segundo dia, a dor de cabeça consumiu esse tempo, e foi como se não tivesse me ajudado. Tenso!

Eu fiquei agradecida por ter conseguido comparecer aos dois dias e ter feito a prova. Quantos não conseguem isso?

Eu ainda faço prova em tempo normal e não no tempo do Asperger... que, às vezes, pode ser eterno... de acordo com Einstein, o tempo é relativo...

Eu tenho dupla excepcionalidade -- Asperger (autismo leve) + Altas Habilidades --. Às vezes, eu não sou tão rápida como os outros, mas isso não significa que não sou capaz de fazer ou perceber as coisas ao meu redor.

Sabe aquela impressão que as pessoas tem de ter perdido o tempo estudando... eu não fiquei com essa impressão porque aprendi matérias novas: Filosofia, Sociologia e Artes. 

As 3 disciplinas acrescentaram muito no meu pensar e no respeito da diversidade que se cria ao meu redor. Hoje, acho difícil imaginar fazer Ciência ou Redação e estudar História  sem o conhecimento prévio dessas disciplinas.

As aulas de filosofia são tão importantes que em algumas escolas - geralmente privadas-, o seu ensino vai desde o Ensino Fundamental e não fica restrita ao Ensino Médio. 

Gostei tanto das aulas do TV Poliedro - com os professores Gui de Franco e Daniel Gomes - que recomendo a todos:


Tchau,

Carla

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Escola Pública no Brasil

Olá,

Situações ruins geram um impacto muito grande na sociedade. Além disso, jornais e redes sociais dão um enfoque muito grande para tragédias... acho que gera maior audiência e lucro.

Recentemente, foi publicado em vários locais a agressão que um aluno de escola pública sofreu por outro colega:


A escola pública acaba virando manchete principal quando acontece algo muito desagradável: greve, falta de infra estrutura, má formação dos professores, alunos agressivos, etc.

É tanta publicação assim que uma das minhas alunas me abordou comentando: "Professora, só falam coisas ruins da gente... as pessoas devem achar que somos bichos."

Fiquei pensando muito na fala dela. Lembro que quando estudante uma professora comentou que a filha dela estudava na escola privada para ter um futuro digno. Eu e outros colegas ficamos sem graça com a fala dela!

Vivenciamos muitas coisas desagradável: onde trabalho a escola é velha e ocuparam todas as salas com alunos - praticamente não temos espaços para outras atividades, como aula de reforço -, as salas de aulas são lotadas, os computadores estão precisando de manutenção, são muito professores para uma sala tão pequena, armários pequenos para muitos materiais, temos somente uma quadra e ela é minúscula, ... são inúmeras reclamações.

Mesmo com tantos obstáculos, eu me surpreendo pelos projetos e iniciativa do grupo escolar (direção, coordenação, professores, funcionários e alunos). Algumas pouquíssimas fotos para mostrar o empenho desse grupo:

Orações para termos força por todo o ano!

Um dia diferente para iniciar o ano.

Pesquisa e visita ao museu!

Aula de História sobre Renascimento e visita a exposição.

A escola faz muitas parcerias.

Visita do Rei da Nigéria!

Festa Julina!

Campanhas contra o racismo e a
História do Futebol com visita ao Mineirão.

Alunos x professores

Trilha com a professora maluca (eu?)

Aula de máscaras africanas

Projeto Auto retrato.

Exposição de História Antiga.

Consciência Negra (com danças e oficinas) e
Dia de Ação de Graças com os professores de inglês!



Importância dos cursos técnicos e visita ao Coltec,

Passeata Meio Ambiente com comunidades tradicionais.

Copa do Mundo

Oscar 2018: E o Oscar vai para... 

E hoje (23/11), acontece a noite do tapete vermelho com entrega do Oscar! Eu não consegui comparecer, fiquei fora de casa o dia todo e agora estou cansada. Decoração (foto acima) impecável. Aqui estão alguns curtas do ano passado que estavam concorrendo ao prêmio:



Não queremos inimigos. Precisamos constantemente de ajuda para aprimorar a educação  e construir cidadãos de qualidade.

Tudo de bom,

Carla

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Mentiram (e muito) para mim

Olá,

Estou sem escrever desde o mês passado, porque o teclado do meu notebook pifou... quase 10 anos de uso: adolescente é tudo rebelde. 

Esse foi um ano eleitoral e vimos que o Brasil estava bem polarizado: direita x esquerda

Para construir a minha opinião sobre algo, eu gosto de ver os "dois lados da moeda". Por causa da nossa cultura judaica-cristã (culto da maioria da população), percebemos o mundo de forma dualística: bom x mau; Deus x Diabo; etc. Alguns aproveitam isso para elaborar "falas" partidárias e políticas com o intuito de conseguir mais seguidores.

Estamos na era moderna, época em que as notícias e "fake news" se espalham em segundos e não somos mais um país de maioria analfabeta. Devemos ir além daquilo que nos chega via redes sociais. Então, decidi ler um livro mais focado no público de "direita": Mentiram (e muito) para mim do escritor Flávio Quintela

Primeiro, quero explicar sobre o autor: Flávio Quintela (nasceu em 1975). Por causa da aparência dele (pele e olhos claros, cabelos castanhos aparentemente lisos) ele se identifica com os brancos, de descendência europeia. Alega ter estudado desde o ensino fundamental em escolas públicas - não havia bolsas para incentivo ao estudo na época dele - e formou-se em Engenharia Elétrica pela UNICAMP (escola superior pública). Atualmente, é casado e reside nos Estados Unidos onde adquiriu uma arma. Ele tem um canal no Youtube, mas publica vídeos muito esporadicamente:


Vamos a minha resenha sobre o livro:


Livro: Mentiram (e muito) para mim
Autor: Flávio Quintela
Editora: Vide Editorial
Ano: 2014
Páginas: 166

Resumo Google Books: 

A esposa dele (Alessandra) fez a capa.
O Brasil tem enfrentado, nas últimas três décadas, um entorpecimento intelectual sem semelhança na história nacional. Uma das causas desse fenômeno são as constantes e reiteradas mentiras que povoam os setores da cultura brasileira, principalmente o educacional e o midiático. Essas mentiras, ensinadas desde muito cedo a nossas crianças, são transmutadas em verdades por repetição, e acabam por criar um simulacro no qual os brasileiros, em sua maioria, vivem inermes e conformados. O livro 'Mentiram (e muito) para mim' expõe numa linguagem simples e clara dezenove mentiras comuns ouvidas e lidas nas escolas, universidades, jornais, revistas e programas de televisão, e que estão na boca das pessoas, dos 'intelectuais', dos políticos e de muitos manipuladores de opinião. O leitor encontrará nesta obra argumentos para desenvolver uma visão de mundo mais crítica, sem precisar para isso de uma bagagem filosófica e política prévia. É um livro para iniciantes na política, mas ao mesmo tempo um compêndio valioso para aqueles que já estudam o assunto. No lugar da vigésima mentira o livro é finalizado com algumas importantes verdades.

Minha opinião: 

É um livro pequeno, dividido em 20 capítulos - ou mentiras - e de fácil leitura. Em praticamente todo o livro, ele tenta mostrar, através de relatos e pesquisas, aquilo que foi ou é divulgado em ambientes públicos, como escolas, universidades e sindicatos. Os capítulos - ou mentiras - abordam temas como: mais valia, nazismo, comunismo, golpe de 64 e outros, que são constantemente apontados por aqueles que se dizem socialistas ou comunistas.
Algumas coisas eu concordo com ele, outras não. Uma delas é a chamada "esquerda caviar e cristã", já lidei com esses e não são fáceis!  

O que eu não gostei:

1º Cotas - As cotas vieram para beneficiar gente como ele: inteligente, disciplinado e dedicado. Por não ser um negro, pardo, indígena ou deficiente, ele concorreria as vagas destinados aos alunos oriundos de escolas públicas. Muitos alunos de escolas públicas ficam desestimulados ao estudo, porque tem que concorrer com alunos da rede particular, que não enfrentam problemas como baixa renda, escassez de verba, ausência de funcionários, etc. Mas a lei de cotas, atualmente, não ficou tão bem elaborada e acabou beneficiando alunos de colégios federais e militares, o que é muito injusto, visto a qualidade de ensino que eles usufruem.

Escravidão - acho um tema muito complexo para ser tratado daquela forma. Realmente, somos muito preconceituosos e só entendemos como a escravidão o que aconteceu com o povo africano na América do Sul. É uma falha educacional nossa. E a escravidão aconteceu com outros povos e em outras épocas também. Por exemplo, o nazismo usou intensamente mão de obra escrava judaica e de outras minorias perseguidas durante a 2ª Guerra Mundial, mas em documentários sobre o tema o foco é sempre o genocídio com as suas câmeras de gás. Em todos os casos, essas pessoas usam e manipulam dados históricos, religiosos e até de cunho científico para justificar os abusos.

Lendas e folclore na educação, principalmente, infantil - aiiiiiiiii Flávio Quintelaaaaa! Você me matou agora. Não é só por causa da lei que a escola trabalha as lendas e folclore do seu e de outros povos. A intenção é a criança adquirir uma cultura saudável, diminuir o preconceito e soltar a imaginação! O que você acha que foi trabalhado na infância de Johanna Basford (famosa pelos livros de colorir) ou  J. K. Rowling (autora da série Harry Potter)? 

Ainda não conheço o trabalho de Olavo Carvalho (ídolo do Flávio, que por sua vez, é o ídolo do meu irmão) e nunca li o Manifesto Comunista de Karl Marx para dar uma opinião mais madura, mas assim que puder eu o farei. 

Recomendo!

Tudo de bom,

Carla