sábado, 27 de outubro de 2018

Incentivo a leitura e Ciências

Olá,

Eu sempre gostei de ler. A professora Natividade conseguiu me alfabetizar aos 7 anos e desde então nunca parei de ler. Até que tentaram me alfabetizar antes, mas eu não conseguia prestar atenção nas salas de aula. Até hoje acho as escolas públicas um lugar muito cheio. 

Eu não conseguia interagir tão bem e sempre estava destoando porque não gostava de algo. Quando algo me incomoda, eu fico um pouco "travada".

Eu não sou neurotípica (NT), então eu não sei como funciona a alfabetização e leitura para eles. Mas as reportagens sempre alegam que é baixo o índice de leitura entre os brasileiros. 

E a tendência é pensar que o baixo índice de leitura é o reflexo do comportamento da maioria, isto é, pobres. Tem um certo fundo de verdade, mas não se pode julgar assim.

Fiquei pensando em pessoas de sobrenomes e famílias tradicionais do Brasil. Os seus descendentes sabem a origem e história dos seus antepassados porque eles tinham a escrita para registro. No passado, isto era um privilégio para poucos - $$$$$.

Eu sou como a maioria: tenho um pé aqui e outro que veio - sem registro e respeito - de algum lugar de fora dessas fronteiras tupiniquins. A minha cor não mente a minha origem. 

Eu não sou uma neurotípica, mas fico imaginando se fosse uma. Assim seria o meu histórico:

Carla
Acorda cedo, engole o lanche matinal e deixa os filhos na escola
Trabalha muitas horas por dia - salário baixo - machismo - ônibus lotado e trânsito tumultuado
Busca os filhos na escola
Chega em casa a tarde, não para de chover e está preocupada como as roupas que ela irá lavar no fim de semana secarão ao mesmo tempo que prepara o jantar
Faz refeição assistindo telejornais e novelas
Prepara a si e aos filhos para dormir para amanhã ter outra jornada.

Eu não inclui marido para não complicar mais. Mas eu não conseguiria ler algo após uma jornada dessas. Muito cansativo. E, consequentemente, "meus filhos" também não teriam tanta atração por leitura, já que eu não seria uma leitora. E assim seria a minha vida, dos meus filhos, netos, etc.

E eu fiquei com o coração partido, porque a literatura me fez sentir ódio, amor, compaixão... toda uma gama de sentimentos que nem sei descrever. E ficamos mais criativos e imaginativos. São inúmeros benefícios. Então, é difícil imaginar alguém sem essa gigantesca vantagem para a vida.

E, sendo professora, como posso ajudar? Um dia vi minhas colegas - professoras de Língua Portuguesa - conversando sobre livros infanto juvenis que elas usam para avaliar os alunos. E aí, pense: Podia usar um livro infanto juvenil sobre um tema voltado para a minha disciplina: Literatura + Ciências! Será que daria certo?

Pronto! A ideia até era legal, mas não tinha a mínima ideia de que livro iria usar. E mais uma vez recebi ajuda de uma outra colega de trabalho: Que tal Ângelo Machado?

Corri para a Biblioteca Escolar e li o livro: "O menino e o rio" escrito por ele na década de 80. O livro é uma aventura de um menino a procura de um rio saudável. O assunto, infelizmente, é muito atual e coincide com o conteúdo dos alunos de 6º anos (10 -12 anos). 

A Direção e Coordenação apoiaram a ideia e adquiriram cerca de 35 livros, através de um projeto. E, semanalmente, os livros são emprestados para os alunos que têm a obrigação de ler e preencher uma Ficha de Leitura (informações sobre o livro e um desenho). 

Através de pequenos atos podemos fazer a diferença. Até o momento, não tive problemas, mas só saberemos dos reais frutos no futuro. Talvez, o projeto venha a ser estendido para outros anos (séries). Quem sabe...

Se você é da área: desejo que possa compartilhar a leitura por aí. Depois eu faço uma seleção de desenhos e compartilho mais coisas sobre isso.

Tchau,

Carla

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