sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Traços de autismo

Olá,

Hoje foi dia de ir ao psiquiatra. Acordei desanimada, mas fui. 

Aprendi com o tempo a lidar com o meu humor. Sempre quando há alterações nas coisas que faço ou quando estou chateada com algo ou estou na TPM/cólicas, tento compensar com alguma coisa que gosto. 

Por exemplo, em momentos de estresse as "doçuras diet" estão liberadas. Canjica, biscoitos, compota, geleia, paçocas, frutas secas (uva e banana passa, damasco - só no promoção), amendoim, castanhas e, principalmente, chocolate. Ai! Chocolate 🍫 é um grande prêmio. Esse ano fiquei barriguda por causa disso. Se nessa premiação tiver obras de arte (museu ou exposição)... uau... vou para o céu 😋😍! E assim meu dia e humor melhoram incrivelmente. 💗 Amo isso!

O que eu não sabia era que esse "prêmio" era um subterfúgio para quebras de ritual. Eu sempre achei que não tinha ritual, pois sempre liguei essa palavra a práticas religiosas como fazer o sinal da cruz em frente a uma Igreja Católica (não faz sentindo fazer reverência para algo de tijolo e cimento 😐). Quando me explicaram o que é ritual, fiquei muito sem graça. Eu tenho muitos rituais e não sabia. E também coleciono, catalogo coisas e não sabia: Você sabia que a jaca é asiática?

Eu fui atendida por uma neuropsicóloga - mestranda da UFMG - e esses são alguns traços do autismo. Como hoje iria ser atendida pela psiquiatra, comentei com ela sobre o atendimento da neuropsicóloga, esses traços de autismo e a distensão abdominal. Ela  - a médica - deixou bem claro que isso não iria alterar nada, pois o tratamento continuará sendo o mesmo. Decidi insistir:

- Como assim não vai alterar nada?
- Você tem TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada) e a medicação, no seu caso, tem que ser o Cloridrato de Paroxetina.
- Mas se eu souber que sou autista posso aprender a evitar situações que me estressam.
- Ah sim! Mas eu quero que você entenda que a medicação para TAG em situações de autismo também é a mesma. 
- Agora entendi. 

E ela continuou explicando sobre como evitar situações que estressam. E sobre a distensão abdominal, ela pediu que eu observasse quanto ao consumo de leite e farinha branca (glúten), pois esse dois ingredientes costumam provocar isso.

Eu fiquei chateada com a conversa. Não parecia importante ser diagnosticado. Precisaria somente de tratar esses sintomas ruins com medicação e pronto. Vocês não tem noção de quantas coisas negativas nós passamos sem um diagnóstico conclusivo. Em quantos médicos já fui para saber de sintomas gástricos que na verdade eram forte ansiedade. 

"Por que você treme?"
"Você tem um jeito de falar diferente."
"Você é doente?"
"Você é quase muda."

Esses comentários e perguntas são feitas, na maioria das vezes, de forma bem desagradável e hostil. Acabam com a auto estima de qualquer um.

Hoje descobri sobre as crises nervosas - meltdowns - e lembro de uma delas na infância: estava de férias no sítio do meu avô e meu pai queria ir perto do rio, ele gostava de recordar do tempo que pescava ali. Ele era paciente comigo, então fui atrás dele. O capim estava alto, por causa da chuva e lembro de sentir muito na pele, tocando o tempo todo. Cerca de uma hora depois, eu comecei a chorar muito e a gritar sobre bichos que mordiam minha pele. Fiquei histérica. Ele me levou para casa e as pessoas ficavam me olhando sem entender porque eu estava daquele jeito. Não tinha bicho nenhum. Mas minha pele estava vermelha. Minha avó foi passando água na minha pele até eu acalmar. 

Talvez em outro momento ou em outra família "sem paciência", eles iriam entender que eu estava fazendo "birra"/"pirraça" e podiam até me bater. Parece besteira, mas não é. Faz muita diferença até no tratamento do filho (a). Esses vídeos mostram algumas crianças em situações de dificuldade, mas infelizmente estão em inglês: 




Na adolescência essas crises podem virar auto mutilação e tentativas de suicídio. É coisa séria. 

Não sei como concluir. Muito chateada. 

Tchau,

Carla

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