sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Museu do Mineirão e o racismo velado

Olá,

Eu fui convidada para participar de uma excursão para o Museu do Mineirão. A excursão foi organizada pelos professores de História e Geografia dentro da temática: racismo.

O racismo é, ao mesmo tempo, um assunto antigo e contemporâneo e, no Brasil, ele é muito velado. Eu demorei a entender que era negra (os pardos entram no grupo dos negros), vítima de racismo e machismo. Às vezes, eu percebia que, por qualquer pretexto, as pessoas “pegavam pesado” comigo. Mas sabe como é? Os meus cabelos lisos enganavam até a mim mesma.

Era uns comentários e perguntas sem contexto e agressivos com a minha presença:

“Onde está a sua mãe?”

“Eles olharam a sua foto e não quiseram olhar mais o seu currículo! ”

Momento leitura para todas as idades!
“Você consegue trabalhar?”

“A gente faz a comida e você lava as vasilhas.”

“Antigamente, nas universidades públicas aparecia gente bonita. Hoje em dia... argh!”

“Se você não passou em nenhum concurso público é porque não tem fé!”

"Você é muito séria." - essa eu demorei a entender. As pessoas criam expectativas sobre uma suposta libertinagem sexual e falta de compromisso e seriedade da minha parte, porque o minha pele é escura.

“Meu namorado cismou com aquela atriz da novela?
Qual?
Aquela do cabelo assim (Sheron Menezes). Morre de nojo dela.”

E as cotoveladas para dar uma despertada ou fazer inveja? E os estupros nas festas? E aí você percebe que é uma sobrevivente. Quando terminei a minha graduação, me sentia um lixo, não tinha auto estima para nada. Demorei a me recuperar e aos poucos eu fui percebendo que sem cota não sobrevivo mais naquele meio. Porque além de um pé na senzala, o outro pé é suspeito de autismo e sou mulher. E por isso eu me identifico tanto com essas histórias.

E as pessoas acham que não ser racista é estar na companhia de gente escura ou transar com mulatas. 

Desejo que um dia possam conhecer o Museu do Mineirão. Só faltou os pés da jogadora Marta!

Tchau,

Carla

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