quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Morando em república

Olá,

Nem sempre as coisas saem como a gente imagina. E foi assim comigo quando tive que morar em república.

Não tinha a mínima noção sobre as minhas características em Altas Habilidades. Às vezes, alguém comentava alguma coisa - "você fala pouco" - ou eu tinha taquicardia. As crises de taquicardia eram constantes, um dos sintomas da ansiedade. Horrível.

A única universidade que havia conquistado uma vaga era em outra cidade, então eu tive a obrigação de morar em república. No início parecia algo bem legal a ideia de conviver com pessoas diferentes, mas não foi tão fácil assim.

Eu tive de mudar tantas vezes de moradia que hoje sinto inveja das colegas que conseguiram morar em somente um local do início da graduação ao término.

Foram diversos tipos de conflitos que aconteciam, mas que eu preferiria sair. A ideia de transtornos piores me dava muito medo. Eu achava os meus colegas de classe média e alta tão difíceis de lidar. Acredito que a maioria era neuro típico

É normal nessa faixa etária e morando em república uma certa competição, mas eu achei algo meio doentio. Nem eu que tenho um pé no autismo consigo ser tão estranha. 👽

Caso você tenha a necessidade de compartilhar a moradia, seria bom fazer uns acordos para evitar problemas e até agressões:

1. Evite fofoca, principalmente de difamação 

Fui convidada para morar em uma república que estava formando algumas moças do curso de Direito. Mas duas das antigas moradoras, não simpatizavam com as formandas, então decidiram difamá-las com histórias de prostituição. Demorei para descobrir a verdade, imagina se essa história chegasse aos ouvidos de uma mente má? 

2. Faça acordos com todos os membros antes de se mudar

Tipo: essa república pode ter namorados somente no fim de semana ou por questão de segurança nessa república não entra homens. Regras assim fazem diferença. Eu morava em uma república que o namorado de uma das moças ia constantemente lá. Achava ele legal, mas aos poucos fui perdendo a privacidade para o casal de pombinhos. Eu ficava incomoda com algumas situações: eles praticamente transavam na minha frente até durante o lanche matinal. Que pegação que era aquela! Muito constrangedor. 

Decidi conversar para conseguir uma melhora e... meus Deus... a moça fez um escândalo, uma gritaria... eu fiquei horrorizada.  Não imaginei que fosse virar aquilo. Ela começou a gritar que em hipótese alguma alteraria o ritmo do relacionamento por minha causa e que se eu quisesse era para pegar as minhas coisas e ir embora. Foi uma baixaria danada. Eu fiquei horrorizada, no outro dia saí dali porque fiquei com medo.

3. Sobre animal de estimação em república

Eu gosto de animais de estimação, mas para cuidar eles ficam caros e dão trabalho. Se você nunca teve, não mexa com isso em república. Muitos estudam e/ou trabalham o dia inteiro e fica difícil dar atenção para um animal como o cachorro. Por causa da dentição, muitos roem chinelos e outras coisas, além das fazerem fezes e urina em local inadequado e isso pode gerar conflito. 

4. Condição financeira

É meio chato falar sobre isso, porque você tem que investigar a vida alheia, mas recomendo morar em lugares que as pessoas tenham a mesma condição financeira que você. Talvez perguntando sobre a presença de faxineiras ou empregadas ajuda a escolher. Alguns preferem dividir as tarefas para economizar (assim é bom). 

5. Sujou, lavou. 

Essa regra é antiga e nem sempre dá para cumprir. Mas não deixe acumular vasilhas. 

6. Se uma na casa menstrua, logo em seguida todas irão menstruar.

7. Faça reuniões mensais só com as membras da república para desabafar. 

Vale até desabafar sobre alguém que coloca fósforo no sal.

8. Trate bem o próximo e seus colegas de república. Com boa convivência poderá ter um amigo (a) para sempre.

9. O quarto do colega de república pode ser um ótimo esconderijo para Conhaque, Chora Rita, Vodka e outras coisas que você usa, mas finge que nem conhece. 

10. Tente fazer um intercâmbio ou arrumar um emprego e seja feliz.

Tchau,

Carla

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