quinta-feira, 1 de março de 2018

Livro: Ele é superdotado, e daí?

Olá,

Eu descobri recentemente que sou portadora de Altas Habilidades. Eu me sentia estranha, procurava médicos e terapias alternativas, mas não descobria o que estava acontecendo.

Já tinha lido sobre pessoas muito inteligentes, mas como não me encaixava no perfil clássico do gênio estudioso, não achava que era isso.

Com ajuda da psicóloga e com experiência da vida, fui descobrindo aos poucos.

Ainda não temos uma ampla literatura a respeito do assunto, pois é algo novo na Ciência.

É muito importante ser identificado para auxiliar nas dificuldades do dia a dia. Algumas pessoas pensam que é uma forma de rotular, mas não é isso. O diferencial, com a correta identificação e acompanhamento, é aumentar a inclusão e evitar preconceitos que tanto fazem inúmeras pessoas se isolarem, ficarem deprimidas, abandonarem as atividades diária (como escola e trabalho) e até se suicidarem.

Por isso recomendo a leitura do livro: 

Ele é superdotado, e daí?
Relatos de mãe sobre a experiência real com a superdotação/altas habilidades

Autora: Claudia Tozzini Barreto
Editora: All Print/2014
219 páginas, ilustrado

Está escrito no livro: 

“Mais que uma biografia, este livro traz não somente fragmentos da vida pessoal e escolar de Felipe Barretto, mas também de muitos outros ‘Felipes’ e de tantos outros pais que buscam o melhor para seus filhos. ... E que nós, profissionais, professores e pais, estejamos atentos e preparados para formar pessoas para um mundo que contemple as diferenças.” Ele é Superdotado, e daí? é um livro com relatos de uma mãe sobre a experiência vivida com seu filho e sua superdotação/altas ha­bilidades. Trata-se da história de Felipe, um menino que só teve sua super­dotação diagnosticada aos 14 anos, e as dificuldades enfrentadas durante sua vida escolar. É um convite a uma reflexão acerca do nosso atual sistema edu­cacional, o qual desperdiça talentos ao não considerar a forma diferenciada de aprendizagem das crianças superdotadas.

Minha opinião:

Eu adorei o livro. A Cláudia tenta detalhar o máximo possível tudo que ela e a família passaram na criação do Felipe. Ela conta como foi a gravidez, o desenvolvimento, as atividades preferidas, o temperamento, etc, mas a parte mais crítica é a fase escolar, pois as escolas e profissionais não estão preparados para identificar e lidar com esse tipo de público.

Aos poucos, você percebe o quanto ela tenta mostrar o problema que foi educar Felipe, mas não por culpa dele, mas por causa de problemas de aceitação e bullying dos colegas, escola e educadores.

Alguns momentos que ela relata chega a ser assustador. Vou ser sincera, a Claudia é mãe... você sabe... mãe é algo meio chato, mas o bom humor do Felipe alivia o peso de tantas situações ruins que ele passou:

"A bosta reluta
Mas acaba saindo
Batendo na água
E causando respingos

A descarga é dada
E ela vai descendo
Clamando intensamente
Pelo cu que está ardendo"

Poesia de Felipe Barretto - Ele é superdotado, e daí?

Cada experiência é única. Eu me identifico com algumas atitudes do Felipe, eu também gostava de fazer poemas, mas não usava coisas escatológicas, eram mais poeminhas de amor.

Salas de aula lotadas não aumentam a qualidade do ensino.
O meu irmão caçula é portador de Altas Habilidades. Eu e meu irmão (meio) estudamos na escola pública, não tinha escolha, minha família não tinha condições de pagar uma escola particular. Meu irmão caçula estudou na pública até o 5º ano, mas não se adaptou a escola. Como não fazia amizade com os colegas de sala, a escola recomendou terapia (psicóloga). Ele fez algumas sessões, mas continuava não querendo ir para escola, chorava para não ir. Escondia atrás do portão quando a Van (escolar) ia buscá-lo para não ir ou inventava doenças ou desligava o despertador. 



Não sabia sobre a Altas Habilidades, mas sempre nos demos bem. Durante um tempo ele foi "meu bebê". Assim que ele formou no 5º ano, ele conseguiu uma bolsa de estudos em uma escola particular. Assim que entrou, se adaptou melhor. Ele ainda continuou sem fazer amizades e não era apaixonado pela escola, mas dava calafrios ao lembrar na pública (estadual). Então, ele não dava problemas para não sair dali.

Quanto as atividades... ele fazia... tinha algumas dificuldades em Matemática, talvez pela forma como era ensinava no Ensino Fundamental I. Na escola particular, ele reclamava que algumas aulas eram chatas, mas ficava bem quieto mesmo. Traumatizou com a Estadual. Sobre algumas atividades, se tivesse que ser com muito capricho, geralmente de Arte, eu era quem fazia. Mas isso foi assim com o meu outro irmão também. Eles gostam de ver Arte (quadro, pintura, música), mas odeiam fazer algo. 

A Escola Estadual, onde ele estudava, tinha cerca de 40 alunos em todas as séries que ele frequentou. A Direção e Secretaria alega que vários alunos saem, principalmente no meio do ano, e que isto seria uma tentativa de manter aquela turma para o professor (a) não ter de ficar sem sua vaga na respectiva escola. Tanto como profissional (também sou educadora) quanto estudante, eu acredito que a educação é para atender o aluno e não ao profissional. Acho um absurdo uma turma ou escola ter de ser fechada porque tem poucos alunos. A educação tem de ser mantida mesmo com quantidade pequena de alunos até o fechamento daquele ciclo. Um horror a pressão que os profissionais passam!

Ao ler o livro e com base em minha experiência fiquei imaginando como seria uma boa educação escolar. Em duas escolas que trabalhei tive a oportunidade (pequena, poucos meses) de conhecer um pouco da sala ambiente. Não era a sala ambiente dos sonhos do professor de Ciências, mas só de ter uma armários para guardar livros e alguns materiais, ajudava bastante. 

Como professores, eu e meus colegas, percebemos algumas facilidades e dificuldades que alguns alunos tem em uma ou mais disciplinas. Então, o ideal seria sala ambiente por nível. Por exemplo, às vezes, o aluno tem um nível avançado de Matemática, mas básico em Língua Portuguesa. Então, ele frequentaria a sala ambiente avançada de Matemática, e a sala básico de Língua Portuguesa até conseguir ir para uma sala avançada de Língua Portuguesa, mesmo que ele demore. 

Isso evitaria problemas como tédio, falta de interesse e bagunça. Além disso, a sala ambiente não ficaria restrita a uma sala com cadeiras, mesas e lousa. Teria de ser adaptada ao tema a ser trabalhado:

Um exemplo de sala ambiente da reportagem: "Como é uma sala de aula americana (EUA)?" da Revista Escola. 

E mais um detalhe: trabalhando assim não dá para ter mais de 25 alunos em sala. Não dá mesmo. E exige profissional preparado para trabalhar dessa forma e para identificar crianças e adolescentes com autismo, altas habilidades, dislexia, etc.

Eu sou terrível. Sempre procurando soluções. 

Abaixo tem dois vídeos que mostram os relatos de algumas escolas que tentam implantar a sala ambiente (o segundo eu perdi a paciência, pois não entendi nada do que foi falado):




Depois eu conto o que estou fazendo para ajudar na inclusão social de alunos de baixa renda. 

Outro livro que li sobre o tema:

O funcionamento inteligente de adultos com Altas Habilidades

Autora: Marsyl Bulkool Mettrau
Editora: Appris
209 páginas

Está escrito no livro:

".... importa destacar a relevância do tema deste livro O funcionamento inteligente de adultos com altas habilidades e dar os parabéns à sua autora, especialista na área. 
A questão é que também o adulto resolve problemas, aprende e se desenvolve. Os talentos, as altas capacidades e a criatividade também se desenvolvem e explicitam na idade adulta. Nem sempre adultos talentosos e com altas capacidades encontram os contextos socioprofissionais mais apropriados ao seu desenvolvimento e realização pessoal e profissional. Os entraves à expressão da excelência prolongam-se na idade adulta, e de novo os preconceitos e as ideias errôneas sobre estes indivíduos se propalam e mantêm na sociedade, mormente nos domínios das artes e das expressões. É fundamental resgatar e tratar do tema com serenidade pois, pior que não apoiar o desenvolvimento e expressão de um talento, é tentar desvalorizar a sua relevância social, científica e técnica, ou segregar o seu portador!"


Minha opinião:

Eu achei a capa bonita, do tipo inteligente. Estava com expectativa de algo e acabei frustrada. A frustração é um problema sério para quem tem AH. Ninguém merece. Então, eu não li o livro. Perdi a paciência. Eu esperava algo do tipo "diário de característica de AH: como lidar" e me pareceu mais uma tese de doutorado na forma de livro. Estou esperando a falta de paciência passar, para tentar ler novamente e dar minha fiel opinião. Por enquanto, eu não recomendo!

Não é fácil ser AH. Tinha que estar estudando para o próximo ENEM, mas eu não gosto de repetição... arghhhhh! Estou arrumando um novo material!

Tudo de bom,

Carla

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