sábado, 17 de março de 2018

Inclusão escolar: o Programa NITIDA/UFMG

Olá,

Às vezes, temos problemas de comunicação. Isso me incomoda.

Durante a minha formação em Licenciatura, não tive uma disciplina que trabalhasse o tema inclusão social. Uma vez, assistimos a um filme francês chamado "O Oitavo Dia" sobre a Síndrome de Down e discutimos um pouco, mas nada além disso.

Na verdade, algumas disciplinas eram meio estranhas. Em muitas aulas, os alunos de escolas públicas eram  alertados sobre o futuro cruel que nos esperava: uma sala de aula pública e desordeira. Os outros, é claro, ou trabalhariam no ensino privado ou estariam subindo degraus na pesquisa e com o merecido aprofundando dos conhecimentos no mestrado, doutorado e pós doutorado.

Não quebrei o ciclo vicioso. Nunca fui boa aluna, só sou respeitosa. 

A escola pública é um ambiente, que por lei, inclui a todos sem questionamentos ou testes. Sou professora de escola pública, aquela que entra qualquer ser vivo, até eu. Mas se tiver um sobrenome "Federal", pode esquecer! Tentamos sempre manter o ambiente acolhedor, mesmo com tantas privações de espaço e verbas.

Eu, como uma adulta, tenho dificuldade para perceber algumas reações que tenho. Às vezes, demoro para identificar corretamente o sentimento que estou expressando e o que o provocou. Eu, ser adulto, sou assim, imagine uma criança ou adolescente?

Mas não significa que eles não possam demonstrar que algo está errado. Talvez, um (a) aluno (a) bagunceiro ou incorrigível só está precisando de alguma ajuda profissional específica. Nós "especiais" precisamos de ajuda para não sermos "monstrinhos":


Procurei na internet e achei sobre alguns programas de ONGs, Universidades Privadas ou Públicas que prestam serviços, principalmente, para alunos de escolas públicas. Eles fazem a correta identificação de alguma "doença/transtorno" que pode afetar o desenvolvimento adequado da criança/adolescente e fornecem uma equipe multidisciplinar para acompanhamento. 

Um dos meus ex-alunos tem uma dificuldade muito grande de interação social. Ele nunca respondia lista de presença, não fazia atividades e não se comunicava com os colegas. Por recomendação da escola, a mãe o levou para um programa da UFMG e lá, através de testes, a equipe identificou que ele está com o QI abaixo da média considerado normal para a faixa etária dele, além disso há a timidez excessiva. Então, eles marcaram sessões para fazer uma série de atividades com a finalidade de melhorar isso.


Do mesmo jeito que existe academia para manter o corpo saudável, tem atividades para "malhar" o cérebro também!

Esse programa da UFMG se chama NITIDA (Núcleo de Investigação dos Transtornos da Impulsividade e Da Atenção) e funciona no Hospital das Clínicas. Eu fiquei muito feliz quando conseguimos esse programa para encaminhar os alunos, pois sabemos das condições socioeconômica e educacionais de muitas famílias. Sim! Tem muitas famílias que ainda não sabem ler, escrever e interpretar.

Mas sabe o que me deixou chateada? Foi a forma como conseguimos essas informações: por um jornal. Gostaria de ter recebido um ofício enviado por algum órgão responsável e não ter a sorte de ler um jornal que tem a reportagem que será útil para mim.

Antes disso, procurei o Atendimento Educacional Especializado (AEE) a pessoa responsável não sabia informar muito e também não demonstrou boa vontade. Então, foram dois anos de procurar até descobrirmos algo. Xeretando no Facebook, descobri que essa pessoa tinha o sonho de ser médico, fez vários vestibulares e não conseguiu. Ele tem uma foto com jaleco branco e estetoscópio. Chato, não é? Será que na profissão sonhada ele seria mais prestativo?

Procurei um psicólogo particular que também não foi muito amigável. Ahhh... a pessoa estaria perdendo futuros clientes, não é? Mas eu sou cara de pau e insisti! 😀

Compartilhando o site da ABDA que ajudam a diagnosticar crianças e adolescente com problemas de comportamento:



O site traz muitas informações sobre o TDAH, redes sociais e recomendação de alguns lugares públicos que dá para fazer um acompanhamento gratuito e com uma equipe profissional. 

O NITIDA é um desse locais gratuitos. Funciona no Hospital das Clínicas da UFMG - Av. Professor Alfredo Balena, 190 - Belo Horizonte/MG, cep: 30130-100.


O cérebro também precisa de exercícios adequados!

Neste caso, estou ajudando somente quem está em Minas Gerais. Mas no site e redes sociais tem como pedir informações sobre equipes recomendadas pela ABDA em outros estados brasileiros. 

Eles sempre convidam os professores para visitar o local, mas ainda não tive tempo! Argh!

Muitos portadores de Altas Habilidades/Superdotação são erroneamente diagnosticados como Hiperativos (TDAH) ou autistas. Tem casos de dupla excepcionalidade, mas não são todos assim. Por isso, uma boa equipe multidisciplinar experiente na área é tão importante.

A Marielle Franco foi obrigada a nos deixar, mas podemos aproveitar a mensagem da luta dela no dia a dia: ajude seu próximo e combata as injustiças! Temos que mostrar, por meio de bons atos, que maus modos não são normais para nenhum povo, inclusive até os mais hostilizados.

Charge do Estado de Minas. Marielle Franco Presente!
Tudo de bom,

Carla

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