sábado, 24 de março de 2018

Seja mais participativa!

Olá,

Um dia estava fazendo um curso sobre Feira de Ciências para Escolas. Durante o curso, nós discutíamos sobre verbas governamentais e como elas haviam diminuído de uns 10 anos para cá. Eu comentei com o mediador que a ex-direção da escola onde trabalho não havia aproveitado esses tempos de "vacas gordas" para investir na infraestrutura. O mediador alegou o seguinte: "Sou professor e já fui membro da direção. Com a minha experiência, acho que tenha faltado dicas, sugestões, conselhos ou iniciativas por parte das outras pessoas. A escola não consegue sucesso somente por causa da direção, mas com a atuação de todos que ali frequentam."

Eu fiquei meditando sobre o que ele havia falado. Nós sempre culpamos o governo, o presidente, o governador, ... sempre o outro, por algo que talvez seja fácil de praticarmos no dia a dia.

Argh! Que bagunça oculta! Mas não tem
mal cheiro: uso talco.
Eu gosto de temas ambientais, então na minha casa tento participar de reciclagem. Comprei um puff baú que uso para esconder os meus sapatos do dia a dia, além do material plástico, vidro e metal que junto para reciclagem. Depois deposito naqueles contêineres coloridos da Prefeitura. Dentro da minha bolsa, carrego mais duas bolsas resistentes - uma de jeans e outra de plástico reciclado - para carregar compras de supermercado e sacolão. Assim evito sacolas plásticas. 

Alguns pensam: "Ah, mas se eu não jogar lixo no chão não haverá emprego para varredores e lixeiros." Não se preocupe com isso. Varredores não conseguem fazer todo o trabalho, porque há um excesso de lixo.

Quando posso também faço doação de medicamentos. Às vezes, fico doente e o médico receita algum remédio que uso somente durante aquele momento e sobra. Para não jogar fora, faço a doação em Postos de Saúde ou lugares que recebem doação. Na minha região, tem uma Paróquia que faz trabalho social e aceita contribuições, como medicamentos não vencidos. Já os vencidos também podem ser doados em Postos de Saúde e algumas farmácias, como a Droga Raia, pois não devem ser descartados no lixo ou esgoto.

O da cor verde não apareceu, mas está ao lado do vermelho.
Muitas embalagens de papel contém plástico que funcionam como impermeabilizantes.
Esse sachê é de adoçante. Existem diversos produtos assim. Não encontrei reciclagem para eles. Tenso.

Estamos longe de pertencermos a um país ideal (dos sonhos), mas culpar sempre o outro não é a melhor solução. Tem uma frase do filósofo Platão que diz o seguinte: "o castigo dos bons que não fazem política é ser governado pelos maus". Então, antes de reclamar é bom ter uma participação efetiva dentro da sua casa, comunidade, cidade, estado e país.

Tem esse vídeo do Projeto Estelar que é legal. A entrevistada, que fala sobre sustentabilidade, tem uma desenvoltura incrível para falar diante de uma câmera. E a entrevistadora é uma princesa e ex-modelo. Muito elegante. Vasculhei na internet e ela faz curso de ilustração botânica. Uau! Chique demais.


Seja mais participativa!

Tudo de bom,

Carla

sábado, 17 de março de 2018

Inclusão escolar: o Programa NITIDA/UFMG

Olá,

Às vezes, temos problemas de comunicação. Isso me incomoda.

Durante a minha formação em Licenciatura, não tive uma disciplina que trabalhasse o tema inclusão social. Uma vez, assistimos a um filme francês chamado "O Oitavo Dia" sobre a Síndrome de Down e discutimos um pouco, mas nada além disso.

Na verdade, algumas disciplinas eram meio estranhas. Em muitas aulas, os alunos de escolas públicas eram  alertados sobre o futuro cruel que nos esperava: uma sala de aula pública e desordeira. Os outros, é claro, ou trabalhariam no ensino privado ou estariam subindo degraus na pesquisa e com o merecido aprofundando dos conhecimentos no mestrado, doutorado e pós doutorado.

Não quebrei o ciclo vicioso. Nunca fui boa aluna, só sou respeitosa. 

A escola pública é um ambiente, que por lei, inclui a todos sem questionamentos ou testes. Sou professora de escola pública, aquela que entra qualquer ser vivo, até eu. Mas se tiver um sobrenome "Federal", pode esquecer! Tentamos sempre manter o ambiente acolhedor, mesmo com tantas privações de espaço e verbas.

Eu, como uma adulta, tenho dificuldade para perceber algumas reações que tenho. Às vezes, demoro para identificar corretamente o sentimento que estou expressando e o que o provocou. Eu, ser adulto, sou assim, imagine uma criança ou adolescente?

Mas não significa que eles não possam demonstrar que algo está errado. Talvez, um (a) aluno (a) bagunceiro ou incorrigível só está precisando de alguma ajuda profissional específica. Nós "especiais" precisamos de ajuda para não sermos "monstrinhos":


Procurei na internet e achei sobre alguns programas de ONGs, Universidades Privadas ou Públicas que prestam serviços, principalmente, para alunos de escolas públicas. Eles fazem a correta identificação de alguma "doença/transtorno" que pode afetar o desenvolvimento adequado da criança/adolescente e fornecem uma equipe multidisciplinar para acompanhamento. 

Um dos meus ex-alunos tem uma dificuldade muito grande de interação social. Ele nunca respondia lista de presença, não fazia atividades e não se comunicava com os colegas. Por recomendação da escola, a mãe o levou para um programa da UFMG e lá, através de testes, a equipe identificou que ele está com o QI abaixo da média considerado normal para a faixa etária dele, além disso há a timidez excessiva. Então, eles marcaram sessões para fazer uma série de atividades com a finalidade de melhorar isso.


Do mesmo jeito que existe academia para manter o corpo saudável, tem atividades para "malhar" o cérebro também!

Esse programa da UFMG se chama NITIDA (Núcleo de Investigação dos Transtornos da Impulsividade e Da Atenção) e funciona no Hospital das Clínicas. Eu fiquei muito feliz quando conseguimos esse programa para encaminhar os alunos, pois sabemos das condições socioeconômica e educacionais de muitas famílias. Sim! Tem muitas famílias que ainda não sabem ler, escrever e interpretar.

Mas sabe o que me deixou chateada? Foi a forma como conseguimos essas informações: por um jornal. Gostaria de ter recebido um ofício enviado por algum órgão responsável e não ter a sorte de ler um jornal que tem a reportagem que será útil para mim.

Antes disso, procurei o Atendimento Educacional Especializado (AEE) a pessoa responsável não sabia informar muito e também não demonstrou boa vontade. Então, foram dois anos de procurar até descobrirmos algo. Xeretando no Facebook, descobri que essa pessoa tinha o sonho de ser médico, fez vários vestibulares e não conseguiu. Ele tem uma foto com jaleco branco e estetoscópio. Chato, não é? Será que na profissão sonhada ele seria mais prestativo?

Procurei um psicólogo particular que também não foi muito amigável. Ahhh... a pessoa estaria perdendo futuros clientes, não é? Mas eu sou cara de pau e insisti! 😀

Compartilhando o site da ABDA que ajudam a diagnosticar crianças e adolescente com problemas de comportamento:



O site traz muitas informações sobre o TDAH, redes sociais e recomendação de alguns lugares públicos que dá para fazer um acompanhamento gratuito e com uma equipe profissional. 

O NITIDA é um desse locais gratuitos. Funciona no Hospital das Clínicas da UFMG - Av. Professor Alfredo Balena, 190 - Belo Horizonte/MG, cep: 30130-100.


O cérebro também precisa de exercícios adequados!

Neste caso, estou ajudando somente quem está em Minas Gerais. Mas no site e redes sociais tem como pedir informações sobre equipes recomendadas pela ABDA em outros estados brasileiros. 

Eles sempre convidam os professores para visitar o local, mas ainda não tive tempo! Argh!

Muitos portadores de Altas Habilidades/Superdotação são erroneamente diagnosticados como Hiperativos (TDAH) ou autistas. Tem casos de dupla excepcionalidade, mas não são todos assim. Por isso, uma boa equipe multidisciplinar experiente na área é tão importante.

A Marielle Franco foi obrigada a nos deixar, mas podemos aproveitar a mensagem da luta dela no dia a dia: ajude seu próximo e combata as injustiças! Temos que mostrar, por meio de bons atos, que maus modos não são normais para nenhum povo, inclusive até os mais hostilizados.

Charge do Estado de Minas. Marielle Franco Presente!
Tudo de bom,

Carla

quinta-feira, 8 de março de 2018

Viva! Maioria nas universidades!

Olá,

Mais uma vitória! Conseguirmos mudar as estatísticas e agora somos a maioria nos cursos universitários, mas sabemos que não somos tão bem aceitas assim.

O meu trote de caloura, foi uma festa, na verdade um churrasco. O veteranos inventaram um tal de leilão de calouras. Subíamos no palco e começavam o leilão.

Calouro é um bicho meio tímido, mas até aí não me senti agredida. Até o momento que eu mais uma colega subimos no palco e alguém comentou: "essas aí servem para colocar na cozinha! Melhor: uma na cozinha e a outra na lavanderia."

Tanto eu como a minha recém colega de curso ficamos muito sem graça. Duas negras no palco, o que você iria pensar com um comentário desses? Mas só foi isso na calourada de curso, pois depois começaram uns comentários que os calouros eram muito pirados e ninguém queria fazer festa com a gente.

É só um exemplo de inúmeras situações desagradáveis que percebi durante o período universitário.

Comentários assim era diários: "Estava em uma festa e alguém passou a mão no meu corpo.", "Ele me beijou a força, foi horrível", "Aff! Ele tem uma namorada na cidade dele.", "Ele conta para todo mundo a vida sexual com a tal da Gabiru", "Vão no laboratório comigo? Aquele professor me olha de um jeito muito estranho, tenho medo dele."... 

Tenho de admitir que fico incomodada quando vejo alguma ex-colega universitária virando "dona de casa exclusiva" ou exercendo outra profissão não ligada ao curso de formação, incluindo aí o mestrado ou doutorado. É porque a maioria dessas, teriam condições financeiras de pagar uma universidade particular, mas como elas conseguem se preparar de forma melhor para as provas (vestibulares e ENEM), acabam conseguindo as tão cobiçadas vagas na universidade pública. A gente não tem como prever o que acontecerá na vida de alguém, mas dá para perceber quando uma pessoa não tem perfil acadêmico. Ou talvez tenhamos que assumir que temos uma pior aceitação no mercado de trabalho. Ou talvez uma mistura de ambos!

De qualquer forma, todas merecem ser respeitadas. E merecemos melhores condições de estudo e trabalho! Maioria nas universidades, mulheres ainda são raras em cargos mais altos.

Ainda temos muitas vitórias a conquistar, porque ainda são muitas notícias tristes sobre universitárias:











Feliz Dia das Mulheres!

Tchau,

Carla

domingo, 4 de março de 2018

Bolo Suíço Nozes Zero Adição de Açúcar

Olá,

Para entender melhor essa postagem, talvez tenha que ler a postagem sobre Florais para saber o que aconteceu comigo ao usar um floral com glicerina. A bula do floral alegava que o ingrediente era glicerina! 

Ainda estou tentando comprovar que a glicerina é altamente energética.  Mas não tenho tanto tempo disponível para pesquisar sobre isso.

Decidi fazer um comparativo usando o fermento biológico que é usado para fazer pães: Saccharamyces cerevisiae.

Saccharamyces cerevisiae é um tipo de fungo (levedura) que se alimenta de carboidratos. Comercialmente, pode ser usada para fabricar pães, cerveja e etanol. Ao digerir os carboidratos, a levedura pode produzir dióxido de carbono e outros resíduos (geralmente, etanol) de interesse industrial.

No dia a dia, nos alimentamos de diversos carboidratos que servem de fonte de energia para o metabolismo do corpo.

Então, quis fazer um comparativo: comprei balões (rosa!!!!!), garrafas Pet, fermento biológico seco instantâneo Dr. Oetker e alguns ingredientes.

Medidas:

A água usada estava a aproximadamente 55º C (100 mL medidas no béquer – não é preciso, mas é o que eu tenho), a temperatura ambiente era de 28ºC, cada sachet de fermento continha 10 g (eu não medi, fui pela informação do fabricante), usei, aproximadamente, 20 g de cada ingrediente. A organização ficou assim:
  1. Água
  2. Água + Fermento Biológico
  3. Água + Fermento Biológico + Açúcar Branco
  4. Água + Fermento Biológico + Açúcar Mascavo
  5. Água + Fermento Biológico + Açúcar de Coco
  6. Água + Fermento Biológico + Glicerina
  7. Água + Fermento Biológico + Bolo Suíco Diet Nozes (usam umectante de glicerina)
  8. Água + Fermento Biológico + Leite de Vaca em Pó
O Fermento Biológico Seco Instantâneo Dr Oetker contém 10 gramas de Saccharomyces cerevisiae e emulsificante monoestearato de sorbitana.

Eu havia comprado um paquímetro, para medir as espessuras dos balões, mas as coisas não saíram do jeito que eu queria. Preciso aprimorar o que eu faço. Eu não conseguia encaixar o balão na boca da garrafa PET direito.

Eu organizei tudo, mas não consegui organizar as imagens.



Antes de terminar de encher todos as garrafas, a que estava com açúcar branco começou a vazar!
Fiz um vídeo com duração de quase dois minutos (aumentei a velocidade para dura esse tempo) com a música a "Dança da Fada do Açúcar" do compositor russo Tchaikovsky! É só para visualizar:



Para esse experimento decidi usar um bolo que tinha umectante a base de glicerina como um dos ingredientes, mas não perguntei a empresa qual seria o percentual usado na receita, pois não estou preocupada com tanta precisão. Eu gosto muito de bolo, mas agora só como bolo diet. Às vezes, acho um preço mais barato e acabo comprando. Achei esse da +Casa Suíça:

Bolo Suíço Nozes Zero Adição de Açúcar – 280 g - +Casa Suíça

Depois coloco mais fotos do bolo!

Ingredientes: Ovo integral pasteurizado; farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico;  gordura vegeral; polidextrose; óleo de soja; nozes; castanha de caju; sal; fibra de trigo; edulcorantes maltitol; sucralose e acesulfame K; umectante glicerina bi-destilada, emulsificantes mono e diglicerídeos de ácidos graxos e estearoil 2-latil lactato de sódio; fermentos químicos bicarbonato de sódio; fosfato monobásico de cálcio e pirofosfato dissódico; conservadores propionato de cálcio; ácido sórbico e sorbato de potássio; aromatizante; estabilizantes goma guar; goma xantana; pectina e lecitina de soja e regulador de acidez ácido cítrico. CONTÉM GLÚTEN.

Opinião: O bolo não é vegano! Mas eu gostei. Acho difícil achar produtos DIET, mas nesse caso o problema é só o preço. Já vi preços variando de R$7,25 (liquidação do EXTRA Hipermercados) a R$25,00 (não pago!). Se comer demais, pode ter efeito laxativo.

Eu gostei do bolo. Pena que é caro!
Ainda vou pensar mais sobre o que eu fiz, pois eu sei que no nosso corpo são diversas substâncias químicas (enzimas) que auxiliam na digestão de carboidratos e que a levedura já não tem tanta variedade assim. Mas o que me chamou a atenção foi a lentidão da fermentação do bolo diet. Talvez as leveduras precisem de mais tempo e/ou maior temperatura. Quanto à glicerina e ao leite, decidi não usar o fato de o balão ter ficado em pé como parâmetro, pois o mesmo aconteceu com o controle "Água + Fermento". Vou pensar.

Eu sei que a glicerina e a lactose me afetam, mas ainda não consegui demonstrar. Depois eu retorno e mostro mais coisas.

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11/03/2018

Resolvi continuar o experimento com as leveduras, mas desta vez alterando o pH. Usei vinagre, pois tem pH=2, o que seria equivalente ao pH estomacal (ambiente ácido), porque não queria comprar HCL (ácido clorídrico) /mais caro/. Eu sei que precisaria de enzimas, mas vou fazer passo a passo só para observar melhor.

Temperatura ambiente: 26ºC
Temperatura do vinagre: 38-40ºC (próximo a temperatura humana)
Fermento Biológico Seco Instantâneo Dona Benta (10 gramas): Saccharomyces cerevisiae e emulsificante monoestearato de sorbitana.
Vinagre de Álcool Nevada: vinagre de álcool hidratado e conservante INS 224. Acidez volátil 4,0%.


A organização ficou assim:
  1. Vinagre
  2. Vinagre + Fermento Biológico
  3. Vinagre + Fermento Biológico + Glicerina
  4. Vinagre + Fermento Biológico + Glicerina (contaminada)
  5. Vinagre + Fermento Biológico + Bolo Suíco Diet Nozes (usam umectante de glicerina) 
  6. Vinagre + Fermento Biológico + Leite de Vaca em Pó 


Início da observação: 15:15

No frasco número 4, esqueci de lavar o recipiente que medi a glicerina, portanto ficou contamina de resto de leite, por isso está escrito contaminada. 

Durante a observação por 1 hora não aconteceu nada: sem gases! Todos os balões vazios! Vou repetir novamente, mas colocando os açúcares (cristal, mascavo e coco) para observar se foi o pH que atrapalhou.

Eu fazendo travessuras novamente!




Tudo de bom,

Carla

quinta-feira, 1 de março de 2018

Livro: Ele é superdotado, e daí?

Olá,

Eu descobri recentemente que sou portadora de Altas Habilidades. Eu me sentia estranha, procurava médicos e terapias alternativas, mas não descobria o que estava acontecendo.

Já tinha lido sobre pessoas muito inteligentes, mas como não me encaixava no perfil clássico do gênio estudioso, não achava que era isso.

Com ajuda da psicóloga e com experiência da vida, fui descobrindo aos poucos.

Ainda não temos uma ampla literatura a respeito do assunto, pois é algo novo na Ciência.

É muito importante ser identificado para auxiliar nas dificuldades do dia a dia. Algumas pessoas pensam que é uma forma de rotular, mas não é isso. O diferencial, com a correta identificação e acompanhamento, é aumentar a inclusão e evitar preconceitos que tanto fazem inúmeras pessoas se isolarem, ficarem deprimidas, abandonarem as atividades diária (como escola e trabalho) e até se suicidarem.

Por isso recomendo a leitura do livro: 

Ele é superdotado, e daí?
Relatos de mãe sobre a experiência real com a superdotação/altas habilidades

Autora: Claudia Tozzini Barreto
Editora: All Print/2014
219 páginas, ilustrado

Está escrito no livro: 

“Mais que uma biografia, este livro traz não somente fragmentos da vida pessoal e escolar de Felipe Barretto, mas também de muitos outros ‘Felipes’ e de tantos outros pais que buscam o melhor para seus filhos. ... E que nós, profissionais, professores e pais, estejamos atentos e preparados para formar pessoas para um mundo que contemple as diferenças.” Ele é Superdotado, e daí? é um livro com relatos de uma mãe sobre a experiência vivida com seu filho e sua superdotação/altas ha­bilidades. Trata-se da história de Felipe, um menino que só teve sua super­dotação diagnosticada aos 14 anos, e as dificuldades enfrentadas durante sua vida escolar. É um convite a uma reflexão acerca do nosso atual sistema edu­cacional, o qual desperdiça talentos ao não considerar a forma diferenciada de aprendizagem das crianças superdotadas.

Minha opinião:

Eu adorei o livro. A Cláudia tenta detalhar o máximo possível tudo que ela e a família passaram na criação do Felipe. Ela conta como foi a gravidez, o desenvolvimento, as atividades preferidas, o temperamento, etc, mas a parte mais crítica é a fase escolar, pois as escolas e profissionais não estão preparados para identificar e lidar com esse tipo de público.

Aos poucos, você percebe o quanto ela tenta mostrar o problema que foi educar Felipe, mas não por culpa dele, mas por causa de problemas de aceitação e bullying dos colegas, escola e educadores.

Alguns momentos que ela relata chega a ser assustador. Vou ser sincera, a Claudia é mãe... você sabe... mãe é algo meio chato, mas o bom humor do Felipe alivia o peso de tantas situações ruins que ele passou:

"A bosta reluta
Mas acaba saindo
Batendo na água
E causando respingos

A descarga é dada
E ela vai descendo
Clamando intensamente
Pelo cu que está ardendo"

Poesia de Felipe Barretto - Ele é superdotado, e daí?

Cada experiência é única. Eu me identifico com algumas atitudes do Felipe, eu também gostava de fazer poemas, mas não usava coisas escatológicas, eram mais poeminhas de amor.

Salas de aula lotadas não aumentam a qualidade do ensino.
O meu irmão caçula é portador de Altas Habilidades. Eu e meu irmão (meio) estudamos na escola pública, não tinha escolha, minha família não tinha condições de pagar uma escola particular. Meu irmão caçula estudou na pública até o 5º ano, mas não se adaptou a escola. Como não fazia amizade com os colegas de sala, a escola recomendou terapia (psicóloga). Ele fez algumas sessões, mas continuava não querendo ir para escola, chorava para não ir. Escondia atrás do portão quando a Van (escolar) ia buscá-lo para não ir ou inventava doenças ou desligava o despertador. 



Não sabia sobre a Altas Habilidades, mas sempre nos demos bem. Durante um tempo ele foi "meu bebê". Assim que ele formou no 5º ano, ele conseguiu uma bolsa de estudos em uma escola particular. Assim que entrou, se adaptou melhor. Ele ainda continuou sem fazer amizades e não era apaixonado pela escola, mas dava calafrios ao lembrar na pública (estadual). Então, ele não dava problemas para não sair dali.

Quanto as atividades... ele fazia... tinha algumas dificuldades em Matemática, talvez pela forma como era ensinava no Ensino Fundamental I. Na escola particular, ele reclamava que algumas aulas eram chatas, mas ficava bem quieto mesmo. Traumatizou com a Estadual. Sobre algumas atividades, se tivesse que ser com muito capricho, geralmente de Arte, eu era quem fazia. Mas isso foi assim com o meu outro irmão também. Eles gostam de ver Arte (quadro, pintura, música), mas odeiam fazer algo. 

A Escola Estadual, onde ele estudava, tinha cerca de 40 alunos em todas as séries que ele frequentou. A Direção e Secretaria alega que vários alunos saem, principalmente no meio do ano, e que isto seria uma tentativa de manter aquela turma para o professor (a) não ter de ficar sem sua vaga na respectiva escola. Tanto como profissional (também sou educadora) quanto estudante, eu acredito que a educação é para atender o aluno e não ao profissional. Acho um absurdo uma turma ou escola ter de ser fechada porque tem poucos alunos. A educação tem de ser mantida mesmo com quantidade pequena de alunos até o fechamento daquele ciclo. Um horror a pressão que os profissionais passam!

Ao ler o livro e com base em minha experiência fiquei imaginando como seria uma boa educação escolar. Em duas escolas que trabalhei tive a oportunidade (pequena, poucos meses) de conhecer um pouco da sala ambiente. Não era a sala ambiente dos sonhos do professor de Ciências, mas só de ter uma armários para guardar livros e alguns materiais, ajudava bastante. 

Como professores, eu e meus colegas, percebemos algumas facilidades e dificuldades que alguns alunos tem em uma ou mais disciplinas. Então, o ideal seria sala ambiente por nível. Por exemplo, às vezes, o aluno tem um nível avançado de Matemática, mas básico em Língua Portuguesa. Então, ele frequentaria a sala ambiente avançada de Matemática, e a sala básico de Língua Portuguesa até conseguir ir para uma sala avançada de Língua Portuguesa, mesmo que ele demore. 

Isso evitaria problemas como tédio, falta de interesse e bagunça. Além disso, a sala ambiente não ficaria restrita a uma sala com cadeiras, mesas e lousa. Teria de ser adaptada ao tema a ser trabalhado:

Um exemplo de sala ambiente da reportagem: "Como é uma sala de aula americana (EUA)?" da Revista Escola. 

E mais um detalhe: trabalhando assim não dá para ter mais de 25 alunos em sala. Não dá mesmo. E exige profissional preparado para trabalhar dessa forma e para identificar crianças e adolescentes com autismo, altas habilidades, dislexia, etc.

Eu sou terrível. Sempre procurando soluções. 

Abaixo tem dois vídeos que mostram os relatos de algumas escolas que tentam implantar a sala ambiente (o segundo eu perdi a paciência, pois não entendi nada do que foi falado):




Depois eu conto o que estou fazendo para ajudar na inclusão social de alunos de baixa renda. 

Outro livro que li sobre o tema:

O funcionamento inteligente de adultos com Altas Habilidades

Autora: Marsyl Bulkool Mettrau
Editora: Appris
209 páginas

Está escrito no livro:

".... importa destacar a relevância do tema deste livro O funcionamento inteligente de adultos com altas habilidades e dar os parabéns à sua autora, especialista na área. 
A questão é que também o adulto resolve problemas, aprende e se desenvolve. Os talentos, as altas capacidades e a criatividade também se desenvolvem e explicitam na idade adulta. Nem sempre adultos talentosos e com altas capacidades encontram os contextos socioprofissionais mais apropriados ao seu desenvolvimento e realização pessoal e profissional. Os entraves à expressão da excelência prolongam-se na idade adulta, e de novo os preconceitos e as ideias errôneas sobre estes indivíduos se propalam e mantêm na sociedade, mormente nos domínios das artes e das expressões. É fundamental resgatar e tratar do tema com serenidade pois, pior que não apoiar o desenvolvimento e expressão de um talento, é tentar desvalorizar a sua relevância social, científica e técnica, ou segregar o seu portador!"


Minha opinião:

Eu achei a capa bonita, do tipo inteligente. Estava com expectativa de algo e acabei frustrada. A frustração é um problema sério para quem tem AH. Ninguém merece. Então, eu não li o livro. Perdi a paciência. Eu esperava algo do tipo "diário de característica de AH: como lidar" e me pareceu mais uma tese de doutorado na forma de livro. Estou esperando a falta de paciência passar, para tentar ler novamente e dar minha fiel opinião. Por enquanto, eu não recomendo!

Não é fácil ser AH. Tinha que estar estudando para o próximo ENEM, mas eu não gosto de repetição... arghhhhh! Estou arrumando um novo material!

Tudo de bom,

Carla