sábado, 24 de fevereiro de 2018

Competição injusta

Olá,

Eu morei 5 anos em Viçosa para estudar na Universidade Federal.

Não havia conseguido vaga em nenhuma universidade em Belo Horizonte e tive de me mudar para o interior.

Achei melhor morar em república, pois eu sou esquisita. Até então, eu não sabia que era portadora de Altas Habilidades. Não sou expansiva, mas intensa, às vezes eu sinto de forma exagerada. Não sabia que precisava de acompanhamento, mas já frequentava psicóloga. 

Eu estudei a vida inteira em escola pública (estadual e municipal) e consegui uma vaga na universidade federal. No começo eu achei que fosse cisma minha, porque não me sentia bem tratada pelo colegas da universidade. Depois, conversando com mais colegas de mesma origem, fui percebendo que era algo contra nós (as pessoas nos estranhavam).

Eu, de origem pública, tenho que fazer as mesmas provas dos colegas de origem particular. E o estranhamento que eles tinham com a presença da gente? 

Se uma moça, de origem particular, estiver fazendo uma faculdade é porque ela está realizando os sonhos. Os outros também querem realizar sonhos!

Vou de dar um exemplo real: Cargo em concursos públicos!

A pessoa estuda a vida inteira nos melhores colégio particulares de Belo Horizonte (alguns referência a nível nacional), muitos fazem intercâmbio, tem um padrão de vida elevado (inclusive cultural), são bilíngues, conseguem vaga na universidade pública e passam em concurso público. Isso quando eles pensam na carreira de funcionário público, porque, alguns antes de formarem, já tem indicação para cargos em setor privado.

Agora: como é que eu consigo emprego competindo desse jeito?
Na prova que eu queria eu não passei. No concurso também eu não passei. Porque a gente concorre por igual com todo mundo, não me diferenciam de ninguém.

Como você acha que eu me sinto quando eu me lembro que não passei no colégios técnicos públicos ou universidades públicas porque tenho origem pública? 😊

Não vou te dizer que é a fórmula perfeita, mas talvez ajude nas eleições:
Quando você for votar em alguém, pense: em quem você votará?
1. Em quem promete dinheiro para as escolas públicas ou em quem estudou ou trabalhou nelas e sabe as reais necessidades ? (nesse caso, não vale só falar universidade pública)
2. Em quem promete melhorias urbanas ou em quem convive no transporte público e conhece as reais necessidades?
3. Em quem promete segurança ou em quem convive como cidadão e conhece as inseguranças do dia a dia?
4. Em quem promete saúde de qualidade ou em quem frequenta o serviço público de saúde?
5. Se ele estudou na universidade federal, pergunte a criatura elegível se a esposa é graduada na mesma universidade?

5 anos convivendo com aquele povo... e vendo eles se encontrarem nos Bailes dos Ex-alunos para comemorarem a amizade. Que amizade? Eles me estranhavam!

E as cotoveladas para fazer invejinha ou ciuminho? E as histórias do membros do Rotary e Lions? E as portas do fundo?

Já deixo bem claro que só aceito doação de coxinha!

E a animação para estudar tudo de novo esse ano, porque eu sei que alguém que tem muita renda está no meu lugar?

Aqui está o relatório chamado "O Ajuste Justo" do Banco Mundial, que propõe medidas para diminuir o déficit na atual economia brasileira. 

Tem que ser muito bem criado para perceber essa exploração.

Tudo de bom,

Carla

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Isso é um trecho de texto do site da UFMG: 
O professor Ricardo Takahashi chama atenção para uma particularidade nesse quadro: a diferença de desempenho observada entre a rede pública federal – composta basicamente pelo Colégio Técnico da UFMG, Cefet e Colégio Militar – e a rede estadual.

Enquanto as primeiras tiveram crescimento significativo no período – de 9,9%, em 2012, aos atuais 16,8% – as estaduais alcançam agora 35,8%, ultrapassando um pouco o patamar de 2012, que era de 33,5%. “As cotas favoreceram bastante os estudantes das escolas públicas federais, que quase dobraram sua presença nesse período”, comenta o pró-reitor de Graduação.
Leia o texto na íntegra aqui"
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Outra reportagem da Campo Grande News:
“Estudei no Colégio Militar, que tem um método diferenciado do restante das escolas públicas, e eu posso concorrer igual. Não sei se é justo”, comenta.

Podem visualizar o edital do Colégio Militar de Belo Horizonte, eles não possuem nem vagas para ações afirmativas. Então, não haveria necessidade de cotas para ingresso na Universidade Pública para esse público.

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"Em geral, o alunado que chega ao COLUNI frequentou escolas particulares, afirmação que aparece de modo explícito no discurso dos alunos entrevistados e que se pode ser constatada através da Figura 6." 

A realidade do COLUNI, é a mesma de outros Colégios Federais, como CEFET e COLTEC. Mesmo que a seleção deles tenha ações afirmativas, a maioria dos estudantes possui origem na escola privada e podem concorrer a cotas universitárias igualmente com alunos de origem municipal e/ou estadual.

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Muitas universidades não tem cotas para os cursos de pós graduação, monitorias e /ou tutorias, e nem possuem questionário sócio-econômico (renda) para ter um melhor conhecimento do aluno que está concorrendo a vaga. 

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Fiquei revoltada hoje porque descobri que meu irmão tem a família Bolsonaro toda no Twitter! Você não sabe o que eu sinto quando eu vejo uma entrevista dessas:



Oh povo safado, sem vergonha, não vale nada! Dá vontade de perguntar: você tem vergonha na cara? Você roubou uma oportunidade de alguém entrar na universidade e de estar hoje empregada! Como você pode ser uma pessoa tão folgada?

Olha só as pessoas que já formaram pela Universidade Pública:

1) Roger Abdelmassih - médico tarado (arghhh) 
2) Sérgio Naya - Tragédia do Edifício Palace II 
3) Marcelo Bahia Odebrecht - aquele do Lava Jato que não termina nunca
4) Kid Nélio Souza de Melo - médico tarado também
5) Eugênio Chipkevitch - médico pedófilo
6) Haniel Caetano de Oliveira - médico pedófilo 
...

Que povo safado! Que nojentos! Arghhhh! 

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