quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Escola Sem Partido

Olá,

Eu sou licenciada e trabalho em escola. Eu e meus colegas temos muitas dificuldades no dia a dia, por causa da realidade social e conflitante que os jovens e adultos de hoje vivenciam. Além disso, a crise política e econômica também afeta nosso meio: corte de verbas, reforma trabalhista, reforma da previdência, famílias desempregadas.... tudo isso se perpetua no ambiente educacional!

Diante de tantos transtornos, para-se tudo para discutir um projeto da “Escola Sem Partido”. Eu não consigo resumir este projeto de lei, então deixo o próprio texto do projeto de lei , o site "Escola Sem Partido", o vídeo "Dois lados da moeda: Escola Sem Partido" da Jovem Pan e o vídeo de um rapaz do canal Mameefalei para melhor esclarecimento:




Esclareceu alguma coisa?

Então, eu vou contar o que presencio durante o turno da manhã. Eu trabalho com aproximadamente 150 crianças (adolescente entre 11 e 15 anos) divididos em 5 turmas. Tenho alunos de várias: raças e mestiços, religiões, alturas (alguns não cabem nas mesas e cadeiras), moradias, níveis de maturidade e inteligência. Mas, nós professores, percebemos diferenças.

Entre essas crianças há alunos especiais, que deveriam receber um apoio educacional diferenciado devido às diferentes necessidades. Um exemplo disso, são os alunos das casas (abrigos) que devido à violência e/ou abandono familiar são, por questão de segurança, retirados da família. Alguns retornam quando a condição melhora ou são adotados, mas alguns não conseguem isso. Entre eles, há alguns que chegam a escola e a casa em situações de tanto estresse que é muito difícil lidar com eles.

Por outro lado, há os chamados alunos de AH (Altas Habilidades) que antigamente eram conhecidos como Superdotados. Primeiro, eles precisam ser diagnosticados e acompanhados. Existe muito preconceito, então a maioria acha que portadores de AH fazem tudo sozinhos e futuramente darão muito lucro para seus familiares. Puro mito!

Um dia, eu fiquei conversando com o professor responsável pela Inclusão na escola e fiquei perguntando sobre os laudos, pois temos alunos que notavelmente tem alguma necessidade, mas não tem laudo e como poderia proceder para ele ter um laudo ou algum atendimento diferenciado (isso auxilia até em casos de aposentadoria especial). A resposta foi surpreendente: a escola pública não pode pedir um laudo por escrito, na verdade a escola tem que convencer o responsável que aquela criança precisa de ir a um psicólogo ou médico. Se a família reconhece o problema, tem conhecimento e condições financeiras, ela dá o devido acompanhamento. Caso contrário, a criança fica “abandonada”, e somos obrigados a aprová-la, pois ela vai se tornando velha naquele meio.

Eu acredito que deveria ter clínica pública com médicos, psicólogos, enfermeiros e assistentes sociais especializados nessas “necessidades especiais educacionais” para o acompanhamento desses alunos. Como isso não existe, eu faço muito esforço para aprovar a maioria, pois eu acho injusto ser mais injusto com aquele que foi muito injustiçado. 😇

Esses são alguns dos inúmeros problemas do ambiente escolar. E, repetindo, diante de tantos transtornos alguém resolveu discutir sobre “Escola Sem Partido”. Tem até sites com o tema “Não deixe que um professor comunista adote seu filho”. Arghhhhhhhh! 

Eu tento ser imparcial no meio dia a dia, mas tenho de admito que não é fácil. Sou um ser humano tenho refletido, como um espelho, diversas situações. E as pessoas pedem a minha opinião o tempo todo. Robotizar o professor não vai mudar a educação. Professor precisa de boas condições de trabalho.

Isso é só para refletir!

Tudo de bom a todos.

Tchau,


Carla

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