quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Eu e o machismo

Olá,

Lembro até hoje como foi. Eu não tinha sido aprovada no vestibular da UFMG (na época se chamava vestibular) e estava chateada. As faculdades brasileiras não valorizam o histórico escolar e as particulares eram caras. Eu só tinha uma prova para te avaliar.

Decidi olhar o site de uma universidade do interior onde eu havia feito prova para treinar... aprovada. 

Fiquei feliz na época. Fiz minha matrícula, mudei para Viçosa e fiz vários amigos. Tenho saudades gigantescas da companhia dos amigos. 

E nos fins de semana tinha algumas baladas bem legais... adorava ficar no meio dos minhas amigas conversando:

- Mas e aí? Você ficou com ele?
- Estamos saindo. Ele é legal, estou gostando.
- Ele tem namorada na cidade dele.
- Ah é?! Uau! Que balde de água gelada!

E sempre existia a namorada da cidade dele que ele não podia largar, pois era mais confiável. Eram moças muito fiéis.

E nós estudantes universitárias, que estávamos distantes dos lares e morando em república, éramos vadias sujas.

Formei. Retornei a Belo Horizonte e comecei a trabalhar:

- Onde você se formou?
- Na Universidade Federal de Viçosa.
- Minha família não deixou eu estudar lá, porque lá só tem vagabunda drogada.
- Wow, obrigada! :-/

- Oi! Você ficou sabendo das novidades?
- Qual?
- A Lara se casou. 
- Não fiquei sabendo. Que estranho, era uma das nossas melhores amigas. Aliás, desde que ela começou a namorar... ela sumiu. Ela convidou você?
- Não. O marido dela não gosta que ela saia com gente como a gente, entendeu? 
- Ai, meu Deus.

Eu achei que esse machismo tivesse ficado restrito as moças universitárias. Mas não. Se somos solteiras, somos pivô de algum relacionado estável:






Desejo que 2017 seja um ano mais feminista!

Tchau,

Carla