domingo, 15 de setembro de 2019

Meritocracia e empatia

Olá,

Dia desses, teve uma festinha no meu trabalho... uma despedida de alguns colegas que não vão poder continuar trabalhando conosco. 

Em comemorações ou despedidas sempre combinamos de cada um levar um lanche para compartilharmos. Mas têm algumas pessoas com restrições alimentares, então sempre tentamos levar um lanche variado para tentar agradar a todos. 

Por causa do problema no metabolismo, bebo suco, café ou refrigerante sem açúcar. Na hora de servimos, uma colega pegou o suco de uva - sem açúcar - e eu perguntei:

Eu:                 Você pode consumir açúcar?
Colega:          Sim, eu não tenho problema com açúcar.
Eu:                 Então, você pode beber do outro suco - com açúcar -?
Colega:          Não. Eu quero esse daqui. - nisso, ela encheu o copo.

Talvez ela seja novata na escola, e não tenha percebido a mensagem super discreta que mandei para ela. Mas não gosto da ideia de julgar os outros, porque o meu "desconfiômetro" deu curto-circuito no nascimento. 😀

Pessoas no Transtorno do Espectro Autista (TEA) têm a pior fama a respeito da empatia. Acredito que isso ocorra por causa das "falas francas"... argh... tem que ver quando é TOD... 😖😖😖😖😖!

Talvez essa falta de empatia seja um mal generalizado, porque não é trabalhado nos meios sociais (trabalho, escola, casa, igreja, etc). 

Ainda não nos preocupamos com esse "bem comum" que é direito de todos. Aí, você verá algumas falas que parece que a pessoa surtou. Lembra do "miserê"?



Na verdade, ainda temos uma construção social muito meritocrática que abrange até as universidades públicas brasileiras. 

Quando universitária, uma das minhas colegas de estágio era bolsista - isto é, recebia uma remuneração pelo estágio -, mas o problema era a condição financeira que ela tinha... ela não precisava daquela remuneração. Nós, os outros colegas, achamos que ela havia conseguido por causa da influência do pai dela. O pai, professor universitário concursado, também é um meritocrata. 

Eu não acho que a pessoa tenha de trabalhar de "graça", a ideia não é essa. Mas pessoas com influência e boas condições financeiras podem percorrer outros caminhos, e não ficar dependendo de assistência do governo.  

Muito difícil combater algo que está tão enraizado, mas não impossível. 💓

Ops, quase esqueci de indicar um filme: Até o último homem:


Tchau,

Carla

sábado, 31 de agosto de 2019

13 bilhões?

Olá,

Por causa da política, sou obrigada a escutar muitas coisas. Às vezes, da direita... outras vezes, da esquerda...

Eu entendo que o papel do presidente (a) é representar e não atuar nos mínimos detalhes de uma aprovação de uma lei ou projeto. Mas estou uma pouco chocada como tudo tem sido tão mal feito. 

Ainda não sei se de forma intencional para derrubar aqueles representantes indesejados... ou se os responsáveis não foram tão competentes assim. 

Estive lendo sobre o Ciência Sem Fronteira... excelente projeto para estudo no exterior e que virou piada: "Turismo Sem Fronteira". 

Foram gastos 13 bilhões de reais com uma maioria que não precisava de ajuda financeira.

Agora, essa perrenga danada! 



Como estudantes catarinenses aproveitaram ou desperdiçaram bolsas do Ciência Sem Fronteiras

Integrantes das classes A e B, entre 20 e 24 anos e aspirantes a engenheiros: um perfil que predomina entre os alunos que participaram do programa de bolsas no exterior Ciência Sem Fronteiras (CSF) pela Universidade Federal de Santa Catarina nos últimos cinco anos. Os dados inéditos foram levantados pela mestranda em Sociologia Política da UFSC Karen Lucia Martinez. Em todo o Estado, o programa incluiu cerca de 3,8 mil estudantes – de graduação e pós. Parte soube aproveitar as oportunidades, ganhou até prêmios, mas alguns desperdiçaram a chance.
...
A mudança dos planos divide opiniões de estudantes, professores e acadêmicos. Isso porque, embora seja uma oportunidade de investir na internacionalização das universidades brasileiras (fator que conta muito para melhorar posições nos rankings mundiais), estimular a pesquisa desde cedo e abrir portas de intercâmbio a estudantes, o programa é fruto de uma gestão bagunçada do governo federal e dentro das próprias universidades, tendo beneficiado estudantes de poucas áreas do conhecimento e com alto poder aquisitivo.
Nem mesmo os números de beneficiários informados pelas universidades e pelo governo coincidem. Nos corredores das universidades, é comum ouvir o apelido pejorativo: turismo sem fronteiras.
...
Crítico do programa desde a implantação, o sociólogo, membro da Academia Brasileira de Ciências e ex-presidente do IBGE, Simon Schwartzman, é categórico ao afirmar que os recursos seriam mais úteis se investidos em pesquisas que trouxessem "resultados palpáveis".
          ...

Leia mais nos sites: 



Tchau,

Carla

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

A minha guerra

Olá,

Esse mês tive de ir à psiquiatra. Eu não queria ir, porque fiquei com vergonha de não ter conseguido diminuir a dosagem da medicação ainda.

Contei tudo que havia me ocorrido quando fui fazer a minha presencial na UFMG e o constrangimento na entrevista da perícia psicológica/médica e verificação racial. 

Fui sincera: fiquei com muita raiva. Achei que foram muito injustos comigo, mas que estava mais calma. Percebi que ficar com raiva daquele jeito não iria adiantar, não estava nem conseguindo pensar direito. 

Mesmo eu alegando mais calma, a doutora achou melhor continuar com a medicação na mesma dosagem (60 mg/dia de cloridrato de paroxetina). E ficou um bom tempo conversando comigo sobre esse critérios - um pouco subjetivos - da banca avaliadora. Contei que para me acalmar eu voltei a estudar música... me lembra férias. 

Ainda estou digerindo o ocorrido. E aprendendo a ter uma outra visão... nem sempre somos vítimas... nem sempre o outro é um vilão... 

Às vezes, episódios ruins acontecem por desentendimentos, falta de informação, ... mas nesse caso, acho que foi excesso de amor... uma ternura muito grande, mas não bem direcionada. 

E aí, eu comecei a me preparar para a guerra santa, porque eu preciso defender o que é meu. E, por uns dias, tive de largar a música para estudar guerra. Ainda sou aprendiz de guerreira, mas a literatura e filmes tem me ajudado:

Livros que recomendo:

1. O príncipe - Nicolau Maquiavel;
2. A arte da guerra - Sun Tzu;
3. Bhagavad Gita; 
4. Mahatma Gandhi (ainda não terminei);

depois completo mais a lista

Filmes

O contador - Nos filmes colocam os personagens "Aspies" tão estereotipados que fica difícil ser perceber autista. Sim, eu também fico incomodada quando me interrompem em alguma tarefa.  



Sarajevo - Acreditei a vida inteira que o início da 1ª Guerra Mundial fosse por causa do morte do príncipe Franz Fernand... vai muito além disso... 

...

Depois completo a sessão de filmes também! 

Eu queria colocar a A casa das coelhinhas e Os deuses devem estar loucos... eu super me identifico com a determinação desses filmes! 😜😜😜😜😜

Estava procurando aula de luta, mas preciso terminar um relatório antes. 

Pensei muito na capoeira, mas /hora/-/local/-/trabalho/-/dinheiro/ não estão em harmonia. 

Um fim de semana iluminado! 

Carla

domingo, 18 de agosto de 2019

Intercâmbio do meu irmão em Portugal

Olá,


Depois que eu fui diagnosticada no TEA (Transtorno do Espectro Autista), mais uma pessoa da minha família também recebeu o laudo: meu sobrinho (6 anos e no TEA/TDAH).

Têm outros com suspeitas... meu irmão caçula. Teve uma vez que o caçula - ele se chama Bruno - estava sem conversar em casa e meus pais começaram a reclamar muito comigo. Conversei com eles para terem mais paciência com ele, pois a diferença de idade podia estar interferindo. Sabe como é, né? Um aborrecente e dois velhos enjoados num mesmo ambiente! 👦👴👵 Só pensei e eu não falei isso. 😀

Eu não tive oportunidade de residir em outro país, mesmo por pouco tempo, mas incentivei o meu irmão caçula a fazer isso desde que ele entrou na universidade. Talvez ele conseguiria se abrir um pouco mais. Ele não aceita ir ao psiquiatra ou psicólogo... talvez por essas características ainda não terem gerado ainda graves problemas sociais a ele.

Através da faculdade, ele conseguiu uma vaga de mobilidade acadêmica – intercâmbio – para a Universidade de Coimbra, em Portugal (universidade mais antiga do mundo). Por causa do acordo entre as duas universidades, ele não pagaria os custos das disciplinas que iria fazer, mas o resto – passagens ida e volta; passaporte; moradia; alimentação e outros – deveria ser custeada por ele. 

Como ele admira o Eduardo Bolsonaro, eu questionei várias vezes se a escolha do país estava relacionado a isso - na verdade, eu o incentivei estudar no Canadá -, mas ele jurou que foi por causa da nota da prova de seleção que ele fez. 😑😕Mas ainda fiquei desconfiada. 

Eu: "Então, foi por causa do Harry Potter?"
Ele: "Já te falei que não foi por causa de nenhum dos dois. Foi por causa da nota." 

Por causa disso, eu comecei a falar "ora pois" toda vez que conversava com ele.

É, eu incentivei... agora tenho que ajudar... lá se foi a minha viagem de janeiro... fiquei novembro-dezembro/2018 a janeiro/2019 só por conta disso. Achei que a Universidade de Coimbra e o Consulado seriam ágeis na liberação de documentos... oh vida!... mais um lugar no planeta repleto de burocracias. Isso me deixou muito ansiosa e com dores pelo corpo! E estava rolando ENEM 2018 e SISU 2019... argh... 😟 Ora pois. 

As aulas do 1º semestre iniciariam em 4 de fevereiro, mas conseguimos colocar ele no voo – direto para Porto - somente dia 1... de fevereiro, né?!. Eu escolhi Porto por ser mais próximo de Coimbra, isso facilitaria o translado para quem não conhecia Portugal. Ora pois.

Por segurança, antes da viagem dei um Lonely Planet Portugal, é um livro com muitas informações e mapas - inclusive turísticos - sobre o país. Conseguimos um quarto numa república de estudantes, porque não havia vagas no alojamento da universidade. Aliás, a própria universidade indica o site UNIPLACES para achar uma vaga de moradia. Ora pois.

Ele gostou muito de Portugal – conseguiu passear em Coimbra, Lisboa e outras cidades. Existem muitos museus e belíssimas igrejas. Além de obras em homenagem ao período do reinado, inclusive com um rei/imperador em comum conosco: Dom Pedro I. 👑Ora pois.

Aliás, tem outro rei que é muito famoso por aqueles lados... Roberto Carlos!!!! 👑🎵 A gente também exporta monarquia!

Capela de São Miguel no Paço das Escolas. Coimbra, Portugal.
Biblioteca Joanina. Coimbra, Portugal.
Como estava frio, ele quis comprar um aquecedor de cama...
boa ideia. Melhor que ter um monte de cobertas
em cima do corpo. 

A escritora J. K. Rowling foi professora de Inglês em Porto, uma das cidades – junto com Coimbra – que iniciaram o uso daqueles uniformes que serviram de inspiração para os trajes colegiais de Hogwarts – escola de bruxos – da série Harry Potter. O uniforme ainda é tradição - não obrigatório -nas universidades – Porto e Coimbra –, mas diferente de antigamente ninguém é preso por não usar o traje. Ora pois. 

Por tradição, alguns alunos fazem apresentação de fargo - música portuguesa - nas ruas:


Muitos empolgam e bailam! 💃

Assim que chegou, entrou em contato com a APEBCoimbra – Associação de Estudantes e Pesquisadores Brasileiros em Coimbra – e fez um tour com eles pelo campus. Achei a ideia incrível, é uma forma de ajudar uns aos outros e eles promovem outros eventos, como tour em bares para encher a cara na cerveja... 🍺! 

Por causa do acordo de mobilidade acadêmica, ele teve direito a cursar algumas disciplinas que ele achasse interessante e optou por duas de inglês com um professor irlandês. Durante os cursos, Bruno teve de apresentar um trabalho e escolheu o tema Escola Austríaca de Economia. Entendeu a minha desconfiança?  Ora pois.

Para economizar, ele optou por almoçar e jantar sempre no campus, até onde sei ele não tem restrição alimentar, mas me avisou que o restaurante universitário oferecia opção de jantar tradicional, vegetariano ou lanche. Ora pois.

Almoço e jantar no restaurante da Universidade de Coimbra,
Coimbra, Portugal.

Dom Afonso Henrique, primeiro rei de Portugal.
A vestimenta lembro o Cavaleiro Templário que
aparece em um dos filmes do Indiana Jones. 

Só achei que ele demorou para tirar o NIF – documento que possibilita você abrir uma conta bancária no Santander como estudante universitário – na Finanças Públicas (Avenida Fernão de Magalhães - portando o passaporte e documentos que comprovem que é estudante em Portugal). Após isso, eu pude fazer transferência de dinheiro pelo TRANSFERWISE. Aliás, quem recomendou foi a Bruna Mansur, ora pois:


Quando chegou em Coimbra, ele ligou para casa avisando que tinha chegado e estava bem. Inclusive, foi pelo telefone do senhorio – proprietário da casa/república -. E só.. não ligou mais avisando como estava. 

Passou uns 45 dias, recebi uma mensagem gigantesca avisando que “o meu irmão não queria se comunicar mais em casa e se eu tinha notícias dele. Se ele foi para outro país, foi com incentivo meu!” Ora pois!!!

O quê? Como assim? Conversei com ele e expliquei a importância de se enviar fotos e alguns relatos para os familiares, principalmente pais. Deu uma melhorada. Ora pois.

👼👼👼👼👼👼

Castelo de Guimarães, Portugal.

Assim que as aulas das disciplinas de inglês acabaram, o Bruno quis retornar para casa... acho que bateu aquela saudade... eu insisti que ficasse até 15 de julho para aproveitar mais, já que gostou muito do país, mas não adiantou. Tivemos que antecipar o retorno de julho para 14 de junho. Na verdade, fiquei preocupada... achei ele um pouco aflito. Ora pois. 😕

Antes do embarque, fechou a conta universitária no Santander e se hospedou em um albergue em Lisboa para aguardar pelo dia do voo. Como ele iria passar por Lisboa, pedi que fizesse uma compra para mim, mas o pestinha se recusou falando que a mala já estava cheia. Peste! Mas trouxe uma revista sobre Maravilhas do Mundo (National Geographic) e um chaveiro das Cruzadas de presente para mim. Ora pois, PESTE!

Atualmente, acho que cortaram o Programa Ciência Sem Fronteira que concedia bolsas - ajuda financeira em passagens aéreas, moradia e alimentação - para quem conseguisse vaga para mobilidade acadêmica em universidades estrangeiras. Mas até onde eu saiba, não havia critério nenhum, além das notas, para distinguir quem realmente necessitava - financeiramente - da verba. 

Nossa! Ficou caro e meu limite do cartão de crédito foi para o espaço. Meus pais não mexem com cartão de crédito, então sobrou tudo para eu fazer. Mas o que eu não faço pela minha pestinha?
Bruno, meu irmão caçula - ora pois -, em Portugal 2019.
Tem ilhas que pertencem a Portugal e, inclusive em uma delas, o carnaval dizem que é bem animado: Ilha da Madeira. O jogador Cristiano Ronaldo veio de uma delas:

Ora pois!!!!!

Desejo que possam ter esse tipo de experiência ou possam ajudar alguém amigo a ter. 

Tchau,

Carla

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Cotas das universidades federais

Olá,

Eu gosto de ter as coisas confirmadas pessoalmente por mim... sempre fui assim.

Existem padrões por aí. Muitos padrões.

E em um padrão que participei as coisas não seguirem bem o "padrão". 

Eu gosto de padronizar, rotular, investigar... uma suspeita vai levando a outra.

Como ainda tenho caráter, ainda não feri as regras do jogo. Vamos lá!

Desde que houve a implantação das cotas, aconteceram muitas críticas. Achava os comentários um pouco injustos, pois já tinha lido o edital e deixava explicito o tipo de alunos que o governo - que se importava com o POVO - almejava atingir.

A partir do 2º semestre de 2018 - início das campanhas eleitorais para presidente/governadores - e início de 2019 - nova presidência com Jair Bolsonaro -, nunca aconteceram tantos indeferimentos para matrículas para os chamados negros (pardos) e deficientes. 

  • Em 2018, a permanência de indeferimento nos recursos (matrículas) alcançou 40 pessoas - 18 pessoas no semestre e 22 no .
  • Em 2019, a permanência de indeferimento nos recursos (matrículas) alcançou 268 pessoas somente no semestre - desanimei para somar os outros recursos indeferidos. (Veja aqui)

Podem conferir o site da UFMG-SISU

Isso é guerra política! Estão usando os cotistas para dizer que agora o crivo é mais preciso nas cotas, que estão obedecendo aos padrões do IBGE. Mas não acontece nem um diálogo com os estudantes. Como era barganha política, não havia comissão para averiguar antes.

A responsável pelo treinamento dos professores, servidores e estudantes da UFMG que participam dessas bancas é a professora Shirley Aparecida de Miranda.


E fui em uma dessas bancas que eu fui barrada. Eles alegam estarem sendo mais severos, mas não tem lógica. 

A UFMG e USP não estão aceitando os cotistas, só quem eles querem.  

Estou boquiaberta. A galera da "esquerda" está em guerra contra mim? 

E a doutora alega que: "a cada edição do processo gera efeito educativo para as seguintes". 

Muitos estão entrando com mandado de segurança que deverá ser julgado por um juiz... sabendo como eles são elitista... e formaram com dinheiro público. 

Estou lendo o "O príncipe" de Nicolau Maquiavel para aprender a lidar com esse povo. Estou começando a achar que as universidades federais nunca gostaram de mim. 😢 

Carla

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Comissão Racial

Olá,

Ainda estou impactada com a Comissão Racial da UFMG...

Eu não fui considerada negra (parda) por eles. Sempre acreditei que por causa da cor visível na pele eu fosse parda.

Mas parece que negros são aqueles que tem características fenotípicas de afrodescendentes (o nariz, cabelo, etc).

Tentei alegar que havia estudado desde a infância na escola pública, mas eles nem olham histórico escolar ... não serve nem como critério de desempate.

Vi vários relatos de que as cotas não eram devidamente preenchidas e sobram inúmeras vagas por falta de interesse da parcela beneficiada.

Mas não é bem isso o que está acontecendo...

Olha só isso:


As vagas que não possuem candidatos afros são encaminhadas para lista de espera de "ampla concorrência". 

Eles almejam alunos de colégios federais, militares e particulares.  As cotas distribuídas são só fachada, por isso recebem atenção até de programas televisivos.

Eu fui indeferida duas vezes por comissões completamente diferentes... 

Branca? 

🤯🤯🤯🤯🤯🤯🤯🤯🤯🤯🤯🤯🤯🤯🤯

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Resultado reserva vagas da UFMG/SISU 2019

Olá,

O que são negros? Eu não sei responder essa pergunta. 

Eu comecei a pensar sobre isso quando me deparei com situações bem desagradáveis sobre raça. 

Acho que por causa do meu tom de pele, fica perceptível o quanto sou mestiça (parda - uma variante do negro).

Mas não é isso que a Comissão de Heteroidentificação da UFMG acha. 

Por causa da minha baixa nota - fiquei com 712 no ENEM 2018 - só consegui 1 vaga na modalidade reserva de vaga: autodeclarados pretos, pardos ou indígenas com deficiência. Aliás, eram 4 vagas e consegui uma dessas quatro vagas.

Fiquei selecionada para início de estudos no 2º SEMESTRE, mas antes tive que passar pelas duas comissões: a médica/psicológica e a racial.  A perícia aceitou rapidamente que eu estou na TEA e só ficou me questionando a necessidade de acompanhamento (quase a psicóloga me fez chorar). Mas a racial diz que eu não consegui comprovar a minha declaração. 

Entrei com recurso e novamente alegaram que eu não sou negra (parda). 

Eu não sabia que a comissão tinha o direito de questionar uma declaração, achei que eles só verificavam se aquilo que estava sendo declarado era "verdade" ou "falso".

Finalmente o resultado, tomei bomba no ENEM 2018. Fiquei muito triste com isso. 

Eu vejo várias pessoas fazendo vários cursos de graduação, mestrados, residências sem qualquer compromisso com a sociedade e eu sou expulsa o tempo todo. Depois alegam que não são racistas ou elitistas. Muito ruim.

Fiquei muito preocupada quando veio essa crise e o corte de verbas. A corda sempre arrebenta para o lado mais fraco. Eu quase entrei em pânico por causa disso. 

Eu já estava desconfiada de algumas coisas devido as denúncias, por isso pedi ajuda. 

Depois pedi ajuda para outras universidades, pois sabia que muitos pegam as "bolsas" sem declaração de renda. 

Fui percebendo que não interessava quem estava no poder, a nossa sociedade ainda é muito antiquada. 

Eu juro que não entendo uma universidade pública assim. Eu juro que não entendo isso sociedade que deseja tudo do capitalismo, mas quer tudo público. 

Não entendo um Eduardo Bolsonaro ser funcionário público e defender a privatização de tudo. 

Não entendo os meus colegas autodeclarados comunistas que se comportam de forma muito capitalista. 

Esse povo é doido. Mas tudo bem, não sou amiga mesmo. Concorrente nunca é um amigo.

Muito azeda e transtornada!